Opinião

Cartas ao director

Constrangimentos ferroviários

Somos um povo com enormes capacidades para a execução de grandes projectos, onde muitas vezes a nossa capacidade de análise confunde-se com a existência de interesses obscuros que inviabilizam o que é mais importante para o desenvolvimento económico do país.

As recentes declarações de alguns governantes sobre a construção de novos troços ferroviários, que referem a redução do tempo de trânsito, no que diz respeito ao escoamento de mercadorias, são positivas. Mas no caso da ligação ferroviária a Sines, o traçado sinuoso existente, que não facilita a formação de comboios de maior dimensão, o declive acentuado, bem como o facto de o percurso ser feito apenas em via única, que apenas permite o cruzamento de comboios nas linhas de resguardo, não é uma solução rentável porque o facto de uma composição ter de esperar pela passagem de outra, com os imprevistos que possam ocorrer, pode significar o atraso na entrega da mercadoria ao cliente.

A via marítima e a via ferroviária são os modos de transporte com maior rentabilidade e com alguns ganhos ambientais, pelo que fazendo sentido a construção do novo troço ferroviário entre Évora e Elvas, que beneficia também a principal estrutura portuária do país, a eliminação dos constrangimentos ferroviários entre Sines e Alvalade-sado, com a construção de um novo traçado ferroviário, seria a resposta antecipada ao aumento de mercadorias que se perspectiva para Sines, que irá decorrer da construção da nova estrutura portuária projectada para o porto alentejano.      

Américo Lourenço, Sines

O tráfico de pessoas em Portugal
O tema gera perplexidade e mais parece surreal num país que foi dos primeiros a abolir a escravatura. Um contexto no qual o Ministério da Administração Interna denota falta de capacidade interventiva, segundo o Presidente Acácio Pereira do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), designadamente em determinadas actividades agrícolas no Alentejo. Região onde homens e mulheres vivem de forma ilegal e sem protecção dos seus direitos o dia-a-dia em herdades recônditas e onde a Inspecção de Trabalho e da Segurança Social têm dificuldades em chegar. Como tal, em conformidade com o dever de Estado, compete ao ministro Eduardo Cabrita que tutela o referido ministério, dotar o SEF com os meios necessários tendo em vista uma maior perseverança sobre aqueles que fomentam a escravatura humana e assim preservar uma das referências da História de Portugal.
Manuel Vargas, Aljustrel

O que Ferraz da Costa não sabe

Lamenta-se o sr. Ferraz da Costa que as empresas não conseguem contratar pessoas. Pudera; mandaram-nas emigrar e quando há uma vaga de emigração os primeiros a partir são os mais expeditos. Agora, se os quiser contratar siga a lei da oferta e procura, que estão sempre a invocar, e ponha anúncios em Angola, Espanha, França,etc. Ah e não se esqueça de pelo menos igualar o salário que eles lá estão a usufruir. Vai ver que não falta gente.

Quintino Silva, Paredes de Coura