Crónica de jogo

FC Porto sai de Paços de Ferreira sob aviso vermelho

Num relvado pesado, os “dragões” sofreram a primeira derrota doméstica e permitiram a aproximação do Benfica na luta pelo título.

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LUSA/JOSE COELHO

Ao 35.º assalto nas competições internas, o FC Porto sofreu o primeiro KO. Numa noite em que estavam anunciadas condições meteorológicas adversas, os “dragões” negligenciaram os avisos, deram meio jogo de avanço ao Paços de Ferreira e, quando procuraram reagir, depararam-se com o vento, a água e uma dupla de centrais intransponível. Miguel Vieira, que dividiu com Mário Felgueiras e Rui Correia o estatuto de protagonista, fez na primeira parte o golo da primeira derrota (1-0) da época dos “azuis e brancos”, desaire que deixa o Benfica a dois pontos do primeiro lugar do campeonato.

Pujante e imponente são adjectivos que se ajustam como uma luva à descrição do FC Porto para consumo interno nos últimos 37 dias, mas, após seis vitórias consecutivas na Liga, com 22 golos marcados e quatro sofridos, o “dragão” mostrou a sua pior face. Com uma mão-cheia de baixas de peso (Alex Telles, Danilo, Herrera, Soares e Marega), Sérgio Conceição manteve a fórmula das últimas jornadas, com dois homens lado a lado no meio-campo, e o escolhido para ocupar o lugar de Herrera foi André André. Nos flancos, estavam os abre-latas do costume (Brahimi e Corona) e, no ataque, uma dupla inédita: Aboubakar e Waris, ambos contratados ao Lorient. A fórmula não resultou.

Relegado para os lugares de despromoção após sofrer em Moreira de Cónegos a quinta derrota consecutiva, o Paços de Ferreira mudou quase tudo na defesa. Obrigado a dar um safanão na equipa, João Henriques trocou Bruno Santos, Baixinho e Ricardo por Filipe Ferreira, João Góis e Rui Correia. Com as mudanças, o técnico acertou no jackpot.

Com as faixas laterais sobrecarregadas pela muita chuva, jogar pelos flancos tornou-se praticamente impossível e os pacenses adaptaram-se melhor à forma da água. Ao contrário do FC Porto, que lateralizava em demasia o seu jogo, o Paços jogava simples e de forma directa. E foi dessa forma que surgiram as três primeiras oportunidades dos “castores”. Com alguma altivez, os portistas pareciam confiar na habitual fiabilidade nas bolas paradas, mas na primeira meia-hora os sete cantos favoráveis aos “dragões” resultaram numa mão-cheia de nada. E quem não mata, morre: aos 34’, no primeiro canto pacense, Marcano afastou de forma deficiente, Luiz Phellype rematou contra Waris e ainda teve tempo de assistir Miguel Vieira, que na área não deu hipóteses a Casillas. Com justiça, o Paços colocava-se na frente e a estatística ao intervalo revelava a tendência do jogo: mais posse de bola (52%) e mais remates (5 contra 4) para a equipa da casa.

Após uma primeira parte em que Mário Felgueiras só foi posto em sentido por uma vez (Aboubakar, aos 36’), o FC Porto entrou na segunda parte a jogar contra o relógio e o vento. A isto, juntou-se um adversário que parece ter aprendido a lição contra o Benfica — se duas semanas antes tinha visto os três pontos fugirem nos últimos minutos, desta vez o Paços não vacilou.

Com a dupla de ataque impotente, Conceição começou por trocar Waris por Otávio e, aos 61’, Rui Correia evitou que Aboubakar ficasse em posição privilegiada para marcar. Quase de seguida, segunda cartada portista: Gonçalo Paciência por André André. Com mais presença na área, o FC Porto abdicou dos rendilhados e o jogo directo parecia trazer dividendos: aos 67’, Felipe foi empurrado na área, mas Mário Felgueiras defendeu o penálti de Brahimi.

Com o desperdício, os “azuis e brancos” perderam clarividência e o Paços, com Miguel Vieira e Rui Correio imperiais na área, agradeceu o futebol sôfrego dos últimos 20 minutos para somar três pontos importantíssimos e deixar o FC Porto em alerta vermelho: tal como os “dragões”, o Benfica já só depende de si para ganhar o campeonato.