Cinco rochas com arte rupestre descobertas no Guadiana

Postas a descoberto pela descida das águas, são gravuras abstractas que os especialistas situam na fronteira do Neolítico para o Calcolítico.

A maior e mais visível das gravuras agora encontradas
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A maior e mais visível das gravuras agora encontradas LUSA/NUNO VEIGA

Cinco rochas com gravuras de arte rupestre que poderão datar do final do Neolítico foram descobertas nas margens do Guadiana, perto de Elvas, e irão agora ser estudadas pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo, que enviará uma equipa de técnicos para estudar o achado in loco.

Postos a descoberto pela seca e pela consequente descida das águas, os painéis foram encontrados na semana passada, na margem portuguesa do rio, por um antigo militar espanhol, Joaquin Larios Cuello, perto da ponte da Ajuda, nas imediações de Elvas.

“Já desenhámos parte das gravuras para que fiquem salvaguardadas", assegurou à Lusa o historiador Luís Lobato de Faria, que tem acompanhado esta descoberta no terreno. Os desenhos, acrescenta, lembram serpentes e figuras humanas.

O presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, José Morais Arnaud, defendeu que “há uma forte probabilidade de serem figuras pré-históricas” e, em declarações à agência Lusa, recomenda que se aproveite a circunstância de as gravuras estarem agora emersas “para se destacar uma equipa de especialistas de arte rupestre”.

As primeiras gravuras de arte rupestre no Guadiana foram descobertas na década de 70 do século XX, na zona do Pulo do Lobo, no concelho de Mértola, distrito de Beja, tendo-se depois verificado outros achados em 2001 e 2002, no âmbito dos trabalhos arqueológicos desenvolvidos pelo Centro Nacional de Arte Rupestre quando da construção da Barragem do Alqueva.

"Descobrimos centenas de figuras, ao longo de muitos quilómetros, na zona de influência da barragem do Alqueva”, disse à Lusa o ex-director do Museu e Parque Arqueológico do Côa, António Martinho Baptista, acrescentando que o núcleo onde se encontraram mais gravuras fica no lugar da Moinhola. “Algumas das gravuras que nessa altura foram descobertas na parte espanhola eram paleolíticas, mas no lado português a maior parte eram gravuras pós-glaciares”, lembrou ainda o arqueólogo.

Embora salvaguardando que ainda só viu fotografias das rochas e que só uma deslocação ao local lhe permitirá um juízo mais seguro, Martinho Baptista disse ao PÚBLICO que as gravuras parecem ser “do período entre o neolítico e o calcolítico” e que “são muito idênticas” às que tinham já sido encontradas em 2001 e 2002”. O arqueólogo acha aliás provável que, em consequência da seca, outras gravuras semelhantes venham a ser encontradas num futuro próximo.  

Uma hipótese que começará já a confirmar-se, uma vez que, segundo Luís Lobato de Faria, estão também a surgir gravuras na margem espanhola do Guadiana. O historiador e a mulher, Eunice Gomes, exploram uma unidade de alojamento local e têm uma empresa de animação turística no concelho de Alandroal que promove passeios culturais um pouco por toda a raia alentejana, tendo sido nesse contexto que conheceu o espanhol Joaquin Larios Cuello, responsável por este achado.