Rex Tillerson

“Maduro tornou a Venezuela num dos países mais pobres do mundo”

Secretário de Estado dos EUA fez uma avaliação negativa da presidência de Maduro. Organização de direitos humanos já pediu ao Presidente venezuelano que proteja o país da fome.

O secretário de Estado dos EUA está num périplo  pelo México, Argentina, Peru, Colômbia e Jamaica
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O secretário de Estado dos EUA está num périplo pelo México, Argentina, Peru, Colômbia e Jamaica Reuters/HENRY ROMERO

O secretário de Estado dos Estados Unidos da América, Rex Tillerson, acusou nesta sexta-feira o Governo do Presidente Nicolás Maduro de "roubar o seu próprio povo", transformando a Venezuela num dos países mais pobres do mundo.

"Os venezuelanos morrem de fome. Os saques são comuns e os doentes não recebem a atenção médica que necessitam. O povo venezuelano sofre por causa de um regime corrupto que rouba o seu próprio povo. O regime de Maduro é o verdadeiro culpado e deve prestar contas", escreveu na sua conta do Twitter. 

Segundo Rex Tillerson "a Venezuela encontra-se num acentuado contraste com um futuro de estabilidade que outros seguem no hemisfério". "A grande tragédia é que podendo a Venezuela ser um dos países mais prósperos da região, é um dos mais pobres do mundo", frisou.  Por outro lado, sublinhou que os EUA continuarão "fazendo pressão contra o regime para que regresse aos processos democráticos que fizeram da Venezuela um grande país, no passado".

Segundo um comunicado do Departamento de Estado dos EUA, Rex Tillerson iniciou quinta-feira um périplo pelo México, Argentina, Peru, Colômbia e Jamaica. Durante o périplo, que decorrerá até 7 de Fevereiro, Rex Tillerson irá reunir-se com "parceiros regionais para promover um hemisfério seguro, próspero e democrático". "Ao longo da viagem, o secretário Tillerson defenderá a crescente atenção regional à crise na Venezuela", sublinha.

Organização de direitos humanos pede acção

Também a Comissão Interamericana de Direitos Humanos pediu a Nicolás Maduro que "reforce os esforços para proteger a Venezuela da fome", revelando que mais de quatro milhões de venezuelanos fazem apenas uma refeição por dia.

"O Estado venezuelano deve reforçar os seus esforços para garantir níveis essenciais para proteger a sua população da fome, inclusive perante situações de limitações graves de recursos", diz, em comunicado, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). O documento começa por explicar que a Venezuela passa por "uma crise económica e social marcada por um contexto de escassez e de falta de abastecimento de alimentos e de medicamentos que está a aumentar de maneira alarmante".

"Esta situação afecta em particular as pessoas, grupos e colectivos em maior situação de vulnerabilidade e de pobreza, resultando especialmente grave para crianças, mulheres, população indígena, afrodescendentes, migrantes, detidos e anciãos", afirma.

Segundo a CIDH, falta informação oficial actualizada mas há dados de que entre 2014 e 2016 1,3 milhões de pessoas estavam "subalimentadas" na Venezuela, 3,9% mais que no triénio anterior.

Crianças morrem desnutridas

"Preocupam as reiteradas denúncias recebidas sobre o risco que teriam milhares de crianças de perder a vida por desnutrição, durante este ano (2018). Em 2017, teriam falecido semanalmente entre cinco e seis crianças por falta de alimentação e pelo menos 33% da população infantil apresentaria indicadores de atraso no crescimento", explica.

Por outro lado, "em média 4,5 milhões de pessoas" fazem apenas "uma refeição por dia e em ocasiões cada dois dias, resultando que 11,4% da população infantil já se encontraria em situação de desnutrição". Segundo a CIDH há denúncias constantes de "falta de acesso a medicamentos e a tratamentos médicos" inclusive para doenças básicas como a diabetes, diarreia, hipertensão e infecções respiratórias, nalguns casos em mais de 80%.

Doentes sem tratamento

Também que 85% das farmácias de Caracas não têm medicamentos para "infecções oportunistas" que atacam as pessoas com sida e que entre 95% e 100% dos hospitais não têm "anti-retrovirais", o que ocasionou a morte de cinco pessoas que estiveram seis meses contínuos sem tratamento.

Segundo a CIDH os bancos de sangue estão deteriorados e há falhas de reactivos e materiais para descartar doenças em doações de sangue, intervenções cirúrgicas e tratamentos com transfusões em pacientes renais, hematológicos e oncológicos, entre outros, sendo preocupante o aumento de doenças como a malária, a zika e a difteria, desde 2015.

"Os aumentos de preços gerais, dos alimentos e medicamentos, somados aos altos índices de inflação repercutem directamente na segurança alimentar e na saúde da população, em particular a que se encontra em situação de pobreza e que se vê obrigada a destinar a maior parte dos ingressos à compra de alimentos e medicamentos", explica. O comunicado sublinha que a gravidade da situação "não admite demoras".

A CIDH denuncia ainda que as bolsas de alimentos subsidiados distribuídos pelo Estado "não são entregues a pessoas opositoras do Governo" e que faltam critérios claros de atribuição, periodicidade e produtos a entregar, assim como das necessidades nutricionais da população, estando condicionado o acesso a portadores de um documento de militante do partido do Governo. Para a CIDH é preocupante "a negativa do Estado venezuelano em receber cooperação internacional para paliar a crise económica e social, assim como a ausência de dados públicos oficiais".