Luta dos trabalhadores da antiga Triumph acaba em despedimento colectivo

Insolvência da fábrica de Sacavém foi decretada pelo tribunal. É o fim de uma vigília que dura há 20 dias.

Trabalhadoras em vigília junto às instalações da antiga Triumph, em Sacavém
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Trabalhadoras em vigília junto às instalações da antiga Triumph, em Sacavém LUSA/MIGUEL A. LOPES

Os 463 funcionários da antiga Triumph, há mais de duas semanas em vigília à porta da fábrica, em Sacavém, souberam na tarde desta quarta-feira o resultado da sua luta: um despedimento colectivo. É o ponto final na indecisão que pairava sobre o futuro da fábrica desde o final do ano passado.

Com a insolvência decretada, finalmente, pelo tribunal, estes trabalhadores vão poder aceder ao subsídio de desemprego e ao fundo de garantia social, enquanto aguardam que lhes sejam pagas as indemnizações.

A principal preocupação das trabalhadoras, e que as aguentou durante 20 dias em vigília, 24 sobre 24 horas a guardar os portões, continua a ser a salvaguarda das máquinas e o património da fábrica. Serão estas "as garantias para os subsídios em atraso e para as eventuais indemnizações”, explicou ao PÚBLICO Mónica Antunes, delegada sindical e trabalhadora da fábrica.

Para já, explicaram alguns trabalhadores, as cartas para o fundo de desemprego começarão a ser entregues na próxima sexta-feira.

O próximo passo, esclareceu Rodrigo Teixeira, trabalhador da empresa há quase três décadas, passará pela avaliação do edifício para que possa ser vendido, posteriormente, em leilão. "Esta noite, em princípio, será a última de vigília. É um dia feliz e triste. Foram 28 anos aqui", lamentou, a semelhança das colegas que saiam e se congratulavam pela luta que levaram a cabo ter dado resultado, ainda que de semblante carregado por perderem o posto de trabalho que foi delas durante décadas