Crónica

Recomeçar

O grande desafio em cada novo ano é fazê-lo verdadeiramente novo.

Em cada novo ano lembro-me do poema Receita de Ano Novo do brasileiro Carlos Drummond de Andrade: “Para ganhar um Ano Novo / que mereça este nome,/ você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo./ Mas tente, experimente, consciente./ É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”

O grande desafio em cada novo ano é fazê-lo verdadeiramente novo. O que é que eu gostaria que fosse novo, nestes tempos de grande incerteza? No plano internacional que as trumpices parassem de nos abespinhar. No plano nacional que a confiança, que começou já a despontar, se instalasse na economia e na vida, o que passa por uma definição mais clara de um futuro comum europeu.

Na ciência, espero que no novo ano haja em Portugal uma avaliação nova das unidades de investigação, ultrapassando a última de má memória. Espero ainda que as instituições de ensino superior, fontes permanentes de ciência, acelerem o processo de renovação dos seus quadros de docência e investigação. E, se não for pedir muito, que as empresas nacionais comecem a contratar doutorados de modo a melhor aproveitar em benefício do país o enorme potencial de criatividade que reside na mais recente geração.

Volto a Drummond, citando outro poema, Recomeçar: “Se pensarmos pequeno, / coisas pequenas teremos. / Já se desejarmos fortemente o melhor / e principalmente lutarmos pelo melhor, / o melhor vai se instalar na nossa vida. / E é hoje o dia da Faxina Mental…”