Aquela série de que de repente toda a gente está a falar? É esta, e é Dark

Estreou-se dia 1 de Dezembro e está a fazer a ronda do passa-palavra, desta vez em alemão. Mistério, sobrenatural e uma criança (ou serão duas?) desaparecida.

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Aquela série de que ninguém ouviu falar e de repente toda a gente está a falar? Neste mês, é esta. Dark é, resumindo de forma simplista, o Stranger Things da Alemanha. É a primeira produção local do Netflix na Alemanha e a medalha que o serviço de streaming está a pôr ao peito para mostrar que é capaz de criar fenómenos em várias línguas e que, apesar de fracassos como Marco Polo (Itália) ou Marseille (França), algumas séries viajam mesmo e põem uma parte do mundo a ver, neste caso, um drama alemão.

Nada que os espectadores de Borgen, Príncipe ou Agência Clandestina, para não falar de Broen (que os EUA adaptaram para The Bridge) não tenham já experimentado, quebrando o jejum de séries que não em inglês simplesmente por terem ao seu dispor boas ficções dinamarquesas, espanholas, francesas ou escandinavas. Mas para um não-europeu (e mesmo para um europeu mais renitente, admita-se) esse feito não é tão significativo quanto para um americano, por exemplo, historicamente conotado com a resistência a legendas.

Dark é uma história familiar que esconde um plano sobrenatural atrás do desaparecimento, como em Stranger Things, de uma criança. E de outra criança. E das famílias envolvidas. O ano? 2019, mas também 1986, porque quase nada se passa na ficção audiovisual desta segunda década dos anos 2000 que não tenha um pé nos anos 1980 e outro na nostalgia. A série segue o já tradicional modelo de um punhado de episódios – dez – e é escrita por Jantje Friese e realizada por Baran bo Odar (autores do filme sobre hackers Who Am I - Kein System ist sicher, de 2014).

Mistério e medo, qualidade narrativa, mas não sem algumas falhas, como notam os críticos que a foram vendo e os espectadores que a foram devorando (sim, é uma daquelas séries para o desporto da década, o binge watching).

Os protagonistas são Louis Hofmann, um adolescente ao centro, Oliver Masucci ou Jördis Triebel e há uma rede de grutas e segredos familiares a assombrá-los a todos na cidadezinha de Winden. O tom sobrenatural, como em Stranger Things, é a sua camada extra de valor neste ano que também não se cansou de dar ao horror um protagonismo invulgar (e resultados de bilheteira invejáveis) com It ou Foge. Como escreve Mike Hale no New York Times, notam-se as “raízes europeias” quando “em vez da pressa incessante” de Stranger Things, “Dark oferece uma qualidade arty silenciosa e quebradiça”.

Com um mapa cuidadosamente decalcado de outras séries com a marca do serviço de streaming, Dark não deve ser definida da tal forma simplista que a emparelha rapidamente a Stranger Things porque tem uma dimensão de mistério e de dúvida que a aproxima também de outras séries suas antecessoras. E porque podemos falar de Perdidos, de Twin Peaks ou de The OA, o melhor é não falar mais da série de que tanta gente fala e guardá-la para o ecrã.

A rubrica Televisão encontra-se publicada no P2,m caderno de domingo do PÚBLICO