Advogado de Bárbara Guimarães: “Estou chocado com o preconceito e vou recorrer”

Ministério Público vai recorrer da decisão. Apresentadora televisiva que tentou afastar juíza do processo ficou indignada com a absolvição do ex-marido do crime de violência doméstica.

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Manuel Maria Carrilho, junto do tribunal de Lisboa, após a absolvição Nuno Ferreira Santos

O advogado de Bárbara Guimarães, que viu nesta sexta-feira o tribunal de pequena instância criminal de Lisboa absolver o ex-marido Manuel Maria Carrilho do crime de violência doméstica, diz-se chocado com a sentença, da qual vai recorrer. O mesmo vai fazer o Ministério Público.

“A juíza manifestou um preconceito absolutamente inaceitável”, acusa o advogado Pedro Reis que, por duas vezes, tentou afastar a magistrada do processo, por a considerar parcial. Mas o Tribunal da Relação de Lisboa não acedeu nem ao seu pedido nem a outro do mesmo teor feito pelo Ministério Público. Nem mesmo ao da própria juíza, que também acabou por pedir escusa do caso.

Segundo a acusação de que o ex-ministro da Cultura foi nesta sexta-feira ilibado, a apresentadora televisiva teria sofrido às suas mãos não só humilhações várias mas também ameaças e agressões físicas, como pontapés e empurrões. A juíza Joana Ferrer entendeu, porém, que a queixosa deveria ter recorrido, na altura em que isso aconteceu, ao Instituto de Medicina Legal para conseguir provas das lesões resultantes das agressões, em vez de ter apresentado fotos em tribunal, que a magistrada não considerou válidas.

“É recorrente e natural que nestes casos as vítimas não recorram ao Instituto de Medicina Legal. E no caso dela mais ainda, por ser uma figura pública”, observa o advogado de Bárbara Guimarães, adiantando que a sua cliente – que não foi à leitura da sentença – ficou indignada com a decisão da juíza. “Que é absolutamente chocante”, insiste, recordando que o perfil positivo que Joana Ferrer traçou do arguido é completamente contrário ao retrato que dele fez um colectivo de juízes que, no final de Outubro, o condenou pelo mesmíssimo crime contra a ex-mulher. Tratou-se de uma decisão judicial relativa ao período em que o casal já se tinha separado, enquanto a sentença desta sexta-feira diz respeito à época em que moravam juntos.

Apenas uma coisa satisfaz Pedro Reis nesta sentença mais recente: “É tão insólita que vai facilitar o recurso.”