Carrilho condenado a quatro anos e meio de prisão com pena suspensa

Manuel Maria Carrilho está proibido de contactar com a ex-mulher Bárbara Guimarães, a quem terá que pagar uma multa de 50 mil euros, ditou a sentença. Advogado do ex-ministro da Cultura já disse que vai recorrer.

LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS
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LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Manuel Maria Carrilho foi nesta terça-feira condenado a quatro anos e meio de prisão, com pena suspensa, por agressão, injúrias e violência doméstica, entre outros crimes, contra a ex-mulher Bárbara Guimarães, o ex-namorado desta, Ernesto "Kiki" Neves, e um amigo da apresentadora de televisão, Ricardo Pereira.

Após uma leitura do acórdão, que demorou mais de uma hora, a juíza presidente do colectivo do Juízo 22 do Tribunal de Comarca de Lisboa deu como provado que o ex-ministro da Cultura tinha, em diversas ocasiões em 2014, agredido, difamado, ameaçado, injuriado e exercido violência doméstica contra a sua ex-mulher, quando o casal já estava separado.

O antigo governante socialista foi, por isso, condenado a pagar 50 mil euros de multa a Bárbara Guimarães, por danos não patrimoniais, 15 mil ao seu ex-namorado e 1750 euros ao amigo da apresentadora.

Manuel Maria Carrilho está ainda proibido de contactar com Bárbara Guimarães, sem prejuízo dos momentos em que tenham que comunicar por causa dos filhos, e terá que frequentar um programa de sensibilização para a violência doméstica, ditou a sentença. 

O colectivo de juízes entendeu que o arguido demonstrou "total insensibilidade" e "ausência de arrependimento" relativamente às acusações agora provadas. A sentença descreve os comportamentos "exaltados", a "visível conflitualidade", "agressividade" e "violência" de Manuel Maria Carrilho, que raramente assumiu a culpa e, quando o fez, justificou que foi “provocado por outros”.

Durante mais de uma hora, Carrilho, sempre de braços cruzados e punho cerrado, ouviu as acusações que o tribunal deu como provadas. Os factos remontam a 2014, quando o arguido ia a casa de Bárbara Guimarães buscar os filhos. Esses momentos eram “tensos” e a apresentadora tinha “receio” de estar sozinha, pedindo a familiares ou amigos para estarem presentes, lê-se no acórdão.

O tribunal provou, através das imagens de videovigilância, que o antigo governante demorava a entregar as crianças e exigia ver Bárbara Guimarães, que, de seguida, insultava e ameaçava. E descreve a “total falta de respeito” com que o Carrilho falava e tratava a ex-mulher, independentemente de estar ou não na presença dos filhos, e as “situações desgastantes em termos psicológicos” que provocava em Bárbara Guimarães e nos que a rodeavam. Os juízes não encontraram "qualquer causa plausível ou justificável" para este comportamento. O processo, que começou a ser julgado em Setembro do ano passado, envolveu ainda amigos da apresentadora e o seu namorado na altura.

O colectivo de juízes encontrou mais credibilidade nos depoimentos dos queixosos do que nas declarações de Manuel Maria Carrilho que, suportou, se contradisse em alguns momentos do julgamento.

Carrilho vai recorrer

À saída do tribunal, o advogado do ex-ministro da Cultura, Paulo Sá e Cunha, considerou os factos "mal julgados" e adiantou que vai recorrer da decisão. Esta posição contraria o apelo deixado pela juíza presidente do colectivo, no final da leitura do acórdão, no qual pedia a Manuel Maria Carrilho para "não persistir" mais neste processo.

Minutos antes o advogado de Bárbara Guimarães, Pedro Reis, mostrou-se "muito contente" com a decisão do colectivo de juízes. "Sinto que foi feita justiça", afirmou à saída do tribunal, apelando ainda à "contenção" dos órgãos de comunicação social que "têm dado guarida a declarações injustas" contra a sua cliente.

Na segunda-feira, véspera de saber se era condenado, Carrilho pediu a guarda da filha mais nova, com sete anos. O ex-ministro interpôs uma providência cautelar no Tribunal de Família e Menores de Lisboa, justificando, em comunicado, que existem “sinais alarmantes em relação à segurança” da menina. O pedido ocorreu após, na semana passada, ter sido notícia que Bárbara Guimarães embateu em vários carros que estavam estacionados no parque de estacionamento de um hotel. Em comunicado, após o acidente, a apresentadora disse que solicitou “um acompanhamento e tratamento terapêutico para fazer face à extrema e constante violência psicológica a que tenho sido submetida nos últimos anos”. 

Para além deste processo, há um outro a correr em que o arguido de 66 anos é acusado de um crime de violência doméstica, quando ainda era casado com Bárbara Guimarães, e de 21 crimes de difamação contra a apresentadora de 44 anos. Com Lusa