“Não sou contra austeridade, mas era preciso dar sinal de recuperação”

Ministro dos Negócios Estrangeiros assegura, em entrevista a jornal alemão, que Portugal estaria pior se tivesse continuado a seguir orientações da Alemanha.

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Miguel Manso

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, admitiu não ser “fundamentalmente contra medidas de austeridade”, mas defendeu a necessidade de ter dado "um sinal de recuperação” aos portugueses. A posição foi assumida em entrevista ao jornal alemão Die Zeit, citada esta manhã pelo jornal i.

Apelando a que se forme rapidamente governo na Alemanha, o ministro respondeu que Portugal estaria “muito pior” se tivesse continuado a seguir as orientações alemãs sobre política económica. “Não sou fundamentalmente contra medidas de austeridade, mas a dada altura tem de se dar um sinal de recuperação à população”, afirmou.

Depois de lembrar que o anterior Governo PSD/CDS cortou salários, Augusto Santos Silva referiu que medidas como essas foram revertidas e que foram ao encontro da forma como vivem os portugueses. "Portugal é um país em que as pessoas gostam de sair. Os restaurantes estavam vazios, agora estão cheios outra vez. A nossa economia beneficiou da maior procura correspondente”, defendeu.

O governante afirmou que foi com “persuasão” que o executivo convenceu a Alemanha de que havia uma política alternativa. E deu conta de como foi o diálogo entre as duas partes: “Os democratas-cristãos [CDU] ficaram preocupados e disseram: 'vocês estão a aumentar os salários quando têm uma dívida tão alta?' Eu disse: ‘nós não aumentámos, nós só não cortámos mais’. E perguntei: ‘os salários não aumentaram durante dez anos. Acha que faz sentido na sociedade alemã’?”. Santos Silva acrescentou que a resposta ouvida, por parte do seu interlocutor, foi “‘claro que não’”. 

Questionado sobre a eleição do ministro das Finanças Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, o chefe da diplomacia portuguesa considerou ser "mais uma prova da credibilidade" da política económica e financeira do Governo.