Bazinga jovem

Young Sheldon, a prequela de A Teoria do Big Bang, estreia neste domingo no AXN White

Foto
DR

A ficção televisiva é uma reciclagem permanente e, por vezes, parece que já não restam ideias originais nas cabeças de quem a produz. Pense-se nos CSI, NCIS, Lei e Ordem, Baywatch (que foi para a Austrália, depois para o Hawaii, e ainda teve uma versão nocturna em que Hasselhoff e companhia lutavam contra ameaças paranormais, para além do filme). Outro caminho é ir pela versão jovem – Crónicas do Jovem Indiana Jones, Os Marretas Bebés – cujo caderno de encargos inclui, invariavelmente, referências permanentes à versão que lhe deu origem. Não se espere outra coisa de Young Sheldon, que estreia neste domingo no AXN White (21h35).

Mais cedo ou mais tarde, saberemos de onde veio o “Bazinga!”, o pregão de Sheldon Cooper na popular sitcom A Teoria do Big Bang (cuja 11.ª temporada estreia no mesmo dia imediatamente antes, também no AXN White). Também saberemos de onde veio a paixão por comboios, por bandeiras, pela ficção científica, pelos comics, a fobia pelos germes, a dificuldade extrema na interacção social. Já conhecíamos a mãe, vamos conhecer o pai, os irmãos e a “meemaw” (avó) que lhe irá ensinar a cantiga de embalar sobre um gatinho feliz e dorminhoco.

A ideia de um jovem Sheldon veio do próprio Jim Parsons, o actor encarnou na perfeição o cientista genial cheio de tiques e manias, com um tremendo complexo de superioridade em relação aos outros, uma criação que já lhe valeu vários prémios. Young Sheldon é um modelo de comédia bastante diferente de A Teoria do Big Bang, menos geek (por enquanto), menos T-shirts de super-heróis e menos palavreado científico, e mais sobre dinâmicas familiares numa cidade pequena.

Iain Armitage é o pequeno actor que consegue reproduzir com bastante fidelidade os maneirismo que Parsons criou para Cooper, e o produto final é surpreendentemente conseguido, mas só aconselhado a quem já acompanha a vida adulta de Sheldon Cooper há dez anos. Quem não faz ideia o que significa "Bazinga!", é melhor passar ao lado.

A rubrica Televisão encontra-se publicada no P2, caderno de domingo do PÚBLICO