Um diploma faz bem à saúde? E à democracia?

Quem tem o ensino superior tem menor probabilidade de ter depressão e maior taxa de participação eleitoral.

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Nelson Garrido

O livro Benefícios do Ensino Superior completa a análise das vantagens económicas obtidas por quem estudou no ensino superior com outros impactos sobre a sua vida e a da comunidade. Os autores cruzam dados do Inquérito Social Europeu com os dos níveis de escolaridade da população para concluir que quem tem um diploma universitário apresenta níveis de saúde mais positivos e também uma taxa de participação democrática superior.

Por exemplo, a probabilidade de um individuo ter uma depressão “decresce com o nível de escolaridade”, lê-se no estudo. E enquanto para os diplomados do ensino superior essa probabilidade se fixava, em 2014, em 0,035, esta sobe para 0,125 para quem tem menos do que o ensino secundário – numa escala de 0 a 1, em que 1 é totalmente provável. 

No mesmo sentido, os diplomados têm hábitos de vida mais saudáveis: consomem menos álcool, praticam mais exercício e têm menos problemas de excesso de peso. Em contrapartida, fumam mais.

“Estes dados parecem apontar para um efeito positivo transversal do ensino superior”, sublinha Hugo Figueiredo, um dos co-autores do livro. “Não é um diploma que por si só e em exclusivo causa essa melhoria, por exemplo, do estado de saúde, mas o diploma parece ter um papel importante”, acrescenta.

Este estudo conclui ainda que os diplomados do ensino superior têm um maior grau de envolvimento político. Por exemplo, apenas 24% dos diplomados do ensino superior consideram ser difícil ter opinião sobre assuntos políticos, contra 31,5% dos que têm o ensino secundário e são da mesma opinião.

No mesmo sentido, os diplomados reportam maior participação em eleições (91%, contra 83% dos que têm o ensino secundário), ao mesmo tempo que demonstram maior interesse na política e estão mais disponíveis para assinar petições e participar em manifestações.

Por outro lado, os diplomados com o ensino superior tem maior probabilidade de demonstrar tolerância em relação à orientação sexual de outro individuo (0,57 contra 0,3 de quem apenas tem o ensino secundário) e salientam ainda um impacto positivo do nível de educação na tolerância em relação à emigração.