Restauro do Mercado do Bolhão adjudicado por 22,4 milhões de euros

Trabalhos deverão arrancar em Janeiro, altura em que os vendedores serão transferidos para o mercado temporário, no La Vie

Durante o período de Natal, o Bolhão ainda terá as portas abertas
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Durante o período de Natal, o Bolhão ainda terá as portas abertas Paulo Pimenta

O restauro do Mercado do Bolhão foi adjudicado por 22,4 milhões de euros e cerca de dois anos, estando previsto que a empreitada, submetida a novo financiamento comunitário, comece no início de 2018, revelou a Câmara do Porto.

Na sua página da internet, a autarquia adianta que a obra, alvo de um concurso público iniciado em Dezembro com o valor base de 25 milhões de euros, foi agora "adjudicada ao agrupamento Alberto Couto Alves, SA, e Lúcio da Silva Azevedo & Filhos, SA, por 22.379.000 euros, estando estabelecido um prazo global de execução de 720 dias [cerca de 24 meses, ou seja dois ano]".

A câmara acrescenta ter apresentado, na terça-feira, uma "segunda candidatura a fundos comunitários" para "o investimento de 7.406.647,06 euros" na reabilitação do Bolhão, tendo em vista juntar este financiamento a uma primeira candidatura já aprovada que "resultou na comparticipação comunitária de 1.566.263,27 euros (de um investimento elegível de 1.842.662,67 euros)".

A autarquia refere que está previsto para o início de 2018 o arranque da empreitada que esteve inicialmente agendado "para Setembro", mas que sofreu "um atraso em fase de concurso, devido a litigâncias entre concorrentes que obrigaram, por força da lei, à suspensão dos procedimentos".

No texto recorda-se que o concurso internacional lançado para reabilitar o Bolhão "suscitou o interesse de 41 operadores económicos e resultou, numa primeira fase, na apresentação de 12 candidaturas, algumas em agrupamento". "A aplicação dos requisitos técnicos e financeiros estabelecidos no procedimento resultaria na selecção de oito candidaturas e, numa segunda fase, os candidatos seleccionados foram convidados a apresentar proposta. Acabariam por ser recepcionadas apenas cinco propostas, sendo que uma foi excluída pelo júri do concurso", acrescenta-se.

A câmara explica que "já no decorrer da audiência prévia, dois dos concorrentes apresentaram pronúncia" e que "após análise pelo júri do procedimento, foram excluídos mais dois concorrentes". "A fase de análise de propostas foi concluída no dia 3 [sexta-feira], com a aprovação do relatório final pelo Conselho de Administração da GO Porto [empresa municipal de Gestão de Obras Públicas]. Neste momento está em curso a fase de habilitação do agrupamento", descreve o município.

Desde Setembro que está concluído, no Centro Comercial La Vie, o mercado temporário que vai acolher os comerciantes do Bolhão durante as obras. Numa visita feita ao mercado temporário a 20 desse mês, enquanto candidato à Câmara do Porto, o actual presidente, Rui Moreira, destacou as "óptimas condições" do mercado temporário concluído para acolher 86 comerciantes do Bolhão, congratulando-se com a adesão de 80% dos comerciantes do interior do mercado à requalificação.

Na visita, Cátia Meirinhos, administradora da GO Porto informou que transitam para o mercado temporário 74 comerciantes do interior do Bolhão, dos quais 61 bancas de talho, fruta, legumes ou peixaria, quatro restaurantes, um amolador e oito carrejões. A responsável acrescentou que, dos actuais cem comerciantes do interior do mercado, 25 optaram por cessar a actividade, sobretudo por motivos relacionados com a idade.

Quanto aos 40 actuais comerciantes das lojas exteriores do Bolhão, 12 transferem-se para o mercado temporário, outros encontraram soluções noutro local e cerca de nove ponderavam, na altura, cessar a actividade.