Incêndios florestais

Não vamos esquecer: ilustrações para recordar as marcas dos incêndios

O desafio, lançado pelos Urban Sketchers, passa por pedir um desenho feito num local afectado pelos incêndios.

"Pinheiros, eucaliptos, os protagonistas. Mas também postes de madeira e tudo o mais que estiver à frente do fogo, esse todo-poderoso que o Homem não consegue dominar" Fernanda Lamelas
Fotogaleria
"Pinheiros, eucaliptos, os protagonistas. Mas também postes de madeira e tudo o mais que estiver à frente do fogo, esse todo-poderoso que o Homem não consegue dominar" Fernanda Lamelas

Os Urban Sketchers lançaram o desafio: fazer um desenho in loco sobre "um rescaldo, uma aldeia, uma vítima ou uma comunidade atingida" pelos incêndios de há uma semana, que atingiram o país de forma dramática e causaram a morte a 45 pessoas. Tudo para que, com o passar dos dias, o tema não caia no esquecimento junto daqueles que se encontram distantes dos locais afectados. Os desenhos, que devem ser enviados para o email leitores@publico.pt, serão divulgados nesta fotogaleria.

Na A8 antes de chegar a Aveiro
Na A8 antes de chegar a Aveiro Eduardo Salavisa
"A Dª V. tem 97 anos e uma memória de fazer inveja a qualquer um. É um prazer ficar a ouvi-la contar-nos histórias da sua vida vivida nas Caldas e não só porque a Dª V. quando era preciso punha-se a caminho para onde fosse. Às 22h de 15 de Outubro pegaram-lhe ao colo e enroladinha num cobertor, deitada no banco de trás seguiu no táxi da aldeia. Dª A, a filha, teve de ir noutro carro e ficou sem saber da mãe até às 5 da manhã, quando se souberam vivas. Hoje não conseguem ainda olhar as paisagens das suas vidas, irreconhecíveis na destruição. Nunca irão esquecer!
"A Dª V. tem 97 anos e uma memória de fazer inveja a qualquer um. É um prazer ficar a ouvi-la contar-nos histórias da sua vida vivida nas Caldas e não só porque a Dª V. quando era preciso punha-se a caminho para onde fosse. Às 22h de 15 de Outubro pegaram-lhe ao colo e enroladinha num cobertor, deitada no banco de trás seguiu no táxi da aldeia. Dª A, a filha, teve de ir noutro carro e ficou sem saber da mãe até às 5 da manhã, quando se souberam vivas. Hoje não conseguem ainda olhar as paisagens das suas vidas, irreconhecíveis na destruição. Nunca irão esquecer! Ana V. Pato
Relatos de residentes das Caldas de S. Paulo, que na noite de 15 de Outubro lutaram com uma coragem sem medidas contra um incêndio nunca ali visto: 'Às 17h vi um grande fumo por cima daquele monte. Quando fui tentar perceber a dimensão já não consegui passar da Ponte...vi labaredas a sair pelas janelas de uma casa... voltei para trás e sem alarmar as gentes fui dizendo que preparassem as mangueiras e vestissem calçado adequado... Pouco tempo depois o fogo galgava o monte...e logo a seguir um outro aparecia do outro lado...estávamos cercados...o barulho era terrível, como um grande avião mesmo em cima da gente.'"
Relatos de residentes das Caldas de S. Paulo, que na noite de 15 de Outubro lutaram com uma coragem sem medidas contra um incêndio nunca ali visto: 'Às 17h vi um grande fumo por cima daquele monte. Quando fui tentar perceber a dimensão já não consegui passar da Ponte...vi labaredas a sair pelas janelas de uma casa... voltei para trás e sem alarmar as gentes fui dizendo que preparassem as mangueiras e vestissem calçado adequado... Pouco tempo depois o fogo galgava o monte...e logo a seguir um outro aparecia do outro lado...estávamos cercados...o barulho era terrível, como um grande avião mesmo em cima da gente.'" Ana V. Pato
Desenho feito na N2 a caminho de Oleiros no dia 21 de Outubro.
Desenho feito na N2 a caminho de Oleiros no dia 21 de Outubro. Sofia Gomes
"Fogos que não se esquecem: ainda o Caramulo"
"Fogos que não se esquecem: ainda o Caramulo" João Catarino