Poluição do ar provoca 6630 mortes prematuras em Portugal

Lisboa, Porto e Braga encontram-se entre as cidades com valores anuais de poluentes atmosféricos nocivos acima da média, alertam os ambientalistas

PAULO PIMENTA
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PAULO PIMENTA

A poluição que os habitantes de Lisboa, Porto e Braga respiram todos os dias, a maioria fruto do tráfego automóvel, faz com que 6630 pessoas morram prematuramente todos os anos. O alerta chega da associação Zero que, citando o último relatório da Agência Europeia do Ambiente relativo à qualidade do ar na UE, dá conta que houve melhorias, mas insuficientes.

A Agência Europeia do Ambiente divulgou nesta quarta-feira os dados recolhidos por 2500 estações de monitorização em toda a Europa no ano de 2015. Apesar de alguns poluentes terem reduzido, o certo é que os números continuam a ser alarmantes para a saúde dos europeus e em especial dos portugueses, salienta a Zero.

Os três grupos de poluentes atmosféricos que mais problemas causam à saúde são as partículas atmosféricas, o dióxido de azoto e o ozono troposférico. Em Portugal, as elevadas concentrações dos mesmos causaram, respectivamente, 3710, 2410 e 280 mortes prematuras, o que totaliza 6630 vidas que foram encurtadas devido à precária qualidade do ar.

Os poluentes têm variadíssimas origens e, muitas vezes, como é caso das partículas atmosféricas secundárias, derivam das reacções químicas entre outros gases provenientes de processos de combustão de combustível (seja este para automóveis, habitações ou indústria), sendo prejudiciais para a saúde pois, por terem dimensões mais reduzidas que as partículas primárias, penetram mais facilmente nas vias respiratórias humanas, explica a associação ambientalista.

Outros, como o ozono troposférico, que tem origem na reacção de gases emitidos pelos escapes dos automóveis com a radição solar, causam problemas de saúde ao formarem radicais livres, já que esta molécula se torna altamente reactiva no tracto respiratório humano, podendo provocar problemas graves.

Uma grande fonte de emissão de poluentes atmosféricos na Europa continua a ser a agricultura intensiva mas, em Portugal, o problema assume maiores proporções nas grandes cidades, sendo o tráfego rodoviário o principal responsável pela ultrapassagem dos valores limite, ou seja, o limite a partir do qual se torna nocivo para a saúde. Braga, Lisboa e Porto são os principais focos de preocupação devido ao seu elevado tráfego rodoviário.

Enquanto que os níveis portugueses de partículas e ozono troposférico se encontram estáveis e abaixo da média, no caso do dióxido de azoto a situação é grave: O valor limite permitido pela legislação europeia e nacional é de 40 miligramas por metro cúbico mas, em 2016, a estação da Avenida da Liberdade registou uma média anual de 57 mg/m3. Mas se este valor já é alarmante, o registado na estação de Francisco Sá Carneiro/Campanhã  ascendeu aos 74,8 mg/m3. Em Braga, o valor fica pelos 55,3 mg/m3 o que também é de preocupar,já que é uma cidade aproximadamente cinco vezes menos populosa que Lisboa, salienta a associação.

Segundo a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável, é fundamental a implementação de medidas nestas cidades para reduzir a emissão de poluentes. “É fundamental diminuir fortemente o tráfego nas cidades”, explica Francisco Ferreira, presidente da associação. “A proibição de veículos a gasóleo ou o reforço de fiscalização de carros antigos a que temos vindo a assistir será um bom sítio por onde começar.”

Com vista a atingir a meta de Neutralidade Carbono 2050, traçada pelo primeiro-ministro António Costa na Conferência da ONU para as Alterações Climáticas, em 2016, e tendo em conta o roteiro para chegar a esta meta, lançado nesta quarta-feira pelo Ministério do Ambiente de quarta-feira, a Zero considera “fundamental a implementação de medidas profundas que promovam as formas suaves de mobilidade, o transporte público e a mobilidade eléctrica” de modo a que a poluição atomosférica em Portugal possa descer substancialmente.

Texto editado por Ana Fernandes

                                                                             

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