Municípios devem apostar em projectos que levem os cidadãos a andar a pé ou de bicicleta

O ministro do Ambiente afirmou que os projectos municipais que ponham as pessoas a andar mais a pé e de bicicleta são essenciais para o objectivo de Portugal em conseguir ser neutro nas emissões de dióxido de carbono até 2050.

João Matos Fernandes defendeu um sistema de transportes "inteligente", referindo o caso do Andante no Porto.
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João Matos Fernandes defendeu um sistema de transportes "inteligente", referindo o caso do Andante no Porto. evr Enric Vives-Rubio

O ministro do Ambiente, João Matos Fernandes afirmou esta segunda-feira que, para atingir a meta, é preciso favorecer "todos os projectos que tornem mais amena a presença na rua, que tornem possível andar a pé e garantam outros modos de transporte como a bicicleta". Segundo o ministro, durante o próximo mês de Outubro deverá estar pronto o roteiro nacional para a neutralidade carbónica.

"Temos que decididamente produzir energia a partir de fontes limpas e ter padrões de mobilidade completamente distintos, com modos de transporte que não produzam gases que provoquem o agravamento do efeito estufa", destacou. Portugal, que avançou muito em domínios socio-ambientais, como o abastecimento de águas ou o tratamento de lixo e esgotos, "não fez esse avanço" em matéria de mobilidade e transportes, considerou.

"O papel das autarquias é fundamental", declarou o ministro, afirmando que a entrega aos municípios de empresas de transporte como a Carris permite “reconhecer que quem gere os territórios e a via pública pode ser importante na promoção do transporte colectivo".

João Matos Fernandes afirmou que "cidades inteligentes" fazem-se quer com decisões tomadas com inteligência quer com a digitalização de serviços, exemplificando com caso dos transportes do Porto: no sistema Andante, existe um cartão único que pode ser utilizado em vários meios de transporte.

Referindo que o governo pretende alargar este sistema a Lisboa, o ministro do Ambiente indicou que os transportes colectivos são pagos "no final do mês como hoje são a água, a luz ou o telefone". O sistema poderá no futuro integrar também táxis e até estacionamento no cartão, que não se limita a adicionar custos de viagens, mas cobra de forma inteligente, percebendo quando uma viagem é repetida ao longo do mês e cobrando-a à tarifa mais económica.

João Matos Fernandes falou à agência Lusa à margem da abertura do 13.º Congresso Nacional de Engenharia Ambiental, que decorre esta segunda e terça-feira na Universidade Lusófona, em Lisboa.

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