Condutor que atropelou mortalmente cinco peregrinos em Condeixa assume culpa

Arguido não conseguiu explicar motivo do despiste no IC2 que causou ainda 4 feridos em Maio de 2015.

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FERNANDO VELUDO/NFACTOS

O condutor do veículo que em 2015 se despistou no IC2, causando a morte a cinco peregrinos e ferimentos em mais quatro, assumiu esta terça-feira em julgamento a culpa pelo sucedido, mas não conseguiu explicar as causas do acidente. Está acusado de cinco crimes de homicídio por negligência e quatro crimes de ofensa à integridade física por negligência.

No início do julgamento, no Tribunal de Coimbra, referiu que o carro lhe começou a fugir e que depois não conseguiu “ver mais nada”. O pintor da construção civil, que à data dos factos tinha 24 anos, circulava no IC2 no sentido Coimbra – Condeixa-a-Nova, pelas 3h45 do dia 2 de Maio de 2015, quando o carro em que seguia, ao fazer uma curva, entrou na via contrária e abalroou um grupo de peregrinos que se deslocava a pé em direcção a Fátima.

A juíza começou por perguntar ao arguido se queria pronunciar-se sobre a acusação. O condutor, que é da Geórgia mas que prescindiu de intérprete, começou por dizer que não, mas depois de uma breve conversa com o advogado, assumiu as responsabilidades pelo despiste. “Cem por cento. Assumo a culpa”, disse perante o colectivo de juízes.

No entanto, sobre as causas que levaram o veículo a entrar em despiste, o homem não adiantou mais pormenores. “Acho que vinha a conduzir normalmente”, afirmou, dizendo que circulava a cerca de 80 ou 70 quilómetros por hora. “Não consigo explicar. Sei que o carro fugiu”. Sobre os motivos de a “traseira do carro ter fugido”, o homem remeteu para as condições meteorológicas e para o piso húmido.  

O arguido referiu ainda que buzinou várias quando fez a viagem anterior, no sentido Condeixa-a-Nova– Coimbra, alegando que os peregrinos estavam a circular na faixa de rodagem destinada aos veículos.

O teste de alcoolemia, realizado duas horas depois do acidente, acusou 0,9 gramas de álcool por litro de sangue. Acusou também a presença de substâncias psicotrópicas. O arguido admitiu que tinha ingerido bebidas alcoólicas e disse que pode “ter mandado uma ou duas passas” mas, questionado pelo seu advogado, alegou que se “sentisse que não conseguia pegar no carro, não faria isso”.

Acordou um mês e meio depois do acidente

Depois do arguido foi a vez dos feridos falarem. José Mortágua, que fazia parte do grupo de peregrinos, apenas se lembra de estar a caminhar com uma das vítimas mortais ao seu lado. Depois disso, só se recorda de ter acordado um mês e meio depois do acidente.

O peregrino referiu que, para além de outras lesões, sofreu um traumatismo craniano e garantiu que o grupo de cerca de 80 pessoas levava coletes reflectores, lanternas de mão e circulava em fila indiana.

Lília Marques também caminhava no IC2 naquela madrugada de 2 de Maio e foi um dos feridos. Diz que não se lembra do momento do embate, na consequência do qual terá sido projectada cerca de 30 metros, mas recorda-se de estar no chão a aguardar assistência. A advogada esteve quatro meses internada e só teve alta a 31 de Agosto desse ano.

Já o estudante Miguel Inácio, também vítima do atropelamento, recorda-se de ter acordado no chão e de, depois de algum tempo de inconsciência, ter visto o arguido a discutir com uma camionista que chegou ao local.