O último título de Toni Nadal

O terceiro troféu erguido por Rafael Nadal em Nova Iorque marca o fim de uma era: a do seu treinador desde os quatro anos.

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Reuters/SHANNON STAPLETON

Dois títulos conquistados em três finais do Grand Slam disputadas e a reconquista do primeiro lugar do ranking é o balanço da época de Rafael Nadal, a sua melhor desde 2010. Com o triunfo no Open dos EUA, o espanhol de 31 anos elevou para 16 o número de majors já ganhos, menos três que Roger Federer. E, tal como o suíço, Nadal já viu anunciado várias vezes o fim da sua carreira, mas são os dois veteranos que ocupam os primeiros lugares do ranking mundial. No entanto, o terceiro troféu erguido em Nova Iorque marca o fim de uma era: a do seu tio, Toni, seu treinador desde os quatro anos.

“Ganhar 16 Grand Slam é algo incrível. Quando ele tinha 12, 13 ou 14, nunca pensámos que ele fosse chegar a este nível. Estou muito feliz por ver o meu sobrinho levantar tantos troféus, sabendo que ele deu mais um passo na história”, salientou Toni Nadal, depois de assistir à vitória de Rafa sobre Kevin Anderson, por 6-3, 6-3 e 6-4. Apesar de todo o empenho do sul-africano de 2,03m – traduzido nos 73% de pontos ganhos dos 64 disputados com o primeiro serviço (incluindo 10 ases) e 34 subidas à rede –, a consistência de Nadal prevaleceu ao fim de duas horas meia, durantes as quais não enfrentou qualquer break-point.

“Não há melhor forma de terminar a época de Grand Slams, após um ano muito emocional em todos os aspectos”, afirmou Nadal, apenas o terceiro homem (juntamente com Pete Sampras e Ken Rosewall) a conquistar torneios do Grand Slam em três décadas de vida diferentes. “É muito especial, depois de um par de anos sem ganhar Slams, com problemas – 2014 e 2016 foram anos em que tive lesões a meio do ano e é difícil recuperar; 2015 não foi de lesões físicas, mas sim mentais”, admitiu a sorrir.

Este foi o primeiro torneio em hardcourt ganho por Nadal desde 2014. Desde então, o espanhol participou em 34 provas neste piso, incluindo o Open da Austrália, em Janeiro, onde perdeu na final com Federer. Seguiu-se o histórico 10.º título em Roland Garros, enquanto o suíço vencia, semanas mais tarde, em Wimbledon.

“Não era imaginável, evidentemente. Mas tinha confiança que Rafa iria ganhar mais um Grand Slam, com toda a sinceridade”, disse Toni. Aos 58 anos, o treinador vai dedicar-se mais à família e à Rafa Nadal Academy, em Maiorca. “Estou mais agradecido do que orgulhoso”, afirmou durante o Open.

O trabalho técnico vai ficar a cargo de Francis Roig, que já o acompanhava esporadicamente, e Carlos Moya, o primeiro tenista de Maiorca a chegar a número um do ranking e antigo mentor de Nadal. “Quando me juntei à equipa [no final do ano passado], sabia que ainda havia muito do Rafa para dar, desde que ele continuasse livre de lesões e a treinar-se com a mesma motivação, desejo e confiança. Em todo o caso, estamos a falar de uma lenda, por isso as vitórias sempre virão, mais cedo ou mais tarde”, adiantou o treinador.

Toni Nadal não formou só o tenista; forjou igualmente um atleta de enorme carácter e ambicioso, sempre capaz de melhorar. É por isso que, quanto ao futuro, Moya não tem dúvidas de que Nadal ainda pode ganhar muito mais. “Não podemos subestimar o seu talento, a sua capacidade de melhorar, de analisar as coisas. Para mim, não há razão para pensar o contrário. Não restam muitos desafios, mas há alguns”, lembrou Moya.

Até ao final de 2017, o desafio de Nadal é manter-se na liderança do ranking. O espanhol tem 2.000 pontos de avanço sobre Federer, mas há ainda dois Masters 1000 e o ATP World Tour Finals por disputar, todos em condições indoor, mais favoráveis ao suíço.