Crónica de jogo

Bruno Fernandes é a tempestade

Sporting obteve a vitória mais dilatada de sempre em Guimarães ao golear por 0-5. “Bis” do médio português e de Bas Dost, com Adrien Silva a fechar as contas. Confiança renovada para viagem à Roménia.

LUSA/HUGO DELGADO
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LUSA/HUGO DELGADO

Uma primeira parte de luxo permitiu ao Sporting vencer com goleada na visita a Guimarães (0-5), o mesmo terreno de onde na época passada saiu com empate, numa partida que vencia por 0-3 a 20 minutos do fim. Esse resultado traumático estava bem presente na memória de um e do outro lado — havia cinco repetentes no “onze” do Sporting (Rui Patrício, Coates, Adrien Silva, Gelson Martins e Bas Dost) e outros tantos na equipa inicial vimaranense (Miguel Silva, João Aurélio, Pedro Henrique, Raphinha e Hurtado) — mas a história não se repetiu. A equipa de Pedro Martins não é tão forte como a do ano passado e os “leões” são superiores à versão 2016-17.

Se o raio não caiu duas vezes no mesmo lugar, Jorge Jesus pode agradecê-lo a Bruno Fernandes. Não, o médio contratado à Sampdoria não é um pára-raios. Ele é a tempestade. Numa tarde quente de Agosto, não deixou ninguém tranquilo em Guimarães, obrigou a equipa de Pedro Martins a procurar abrigo e deixou um rasto de estragos que vão demorar a ser reparados.

Bruno Fernandes foi a única novidade no “onze” escolhido por Jorge Jesus, ocupando o lugar que tinha sido de Daniel Podence frente ao Steaua, no apoio a Bas Dost. E não perdeu tempo para justificar a aposta do técnico: tirou Zungu do caminho e, de longe, desferiu um remate magistral ao ângulo da baliza que deixou Miguel Silva pregado ao chão.

As duas equipas tinham-se defrontado uma semana e meia antes do início do campeonato, num jogo de preparação, com triunfo dos vimaranenses por 3-0. Mas não há comparação possível. Sem os castigados Josué Sá e João Vigário, o V. Guimarães mostrou gritantes fragilidades defensivas. Bas Dost quase nem teve de saltar e, sem oposição no coração da área, cabeceou para o 0-2 após livre milimétrico de Acuña. Pouco depois o holandês “bisou”: Battaglia com um excelente passe lançou Fábio Coentrão pela esquerda, e o português ofereceu o golo a Bas Dost, que só teve de encostar.

Não era um jogo de sentido único, mas quase. Só perto do intervalo o V. Guimarães conseguiu incomodar Rui Patrício, mas o guarda-redes português esteve atento.

Quando o Sporting abrandou o ritmo e geriu a vantagem na segunda parte, pode perdoar-se quem tenha pensado que a tempestade tinha passado. Piccini facilitou a tentar um atraso para Rui Patrício que deixou a bola em Hurtado, mas o guarda-redes conseguiu afastar pela linha. E Bruno Fernandes voltou a deixar os vimaranenses em sobressalto com mais um tiro ribombante aos 60’.

Esse golo reduziu o V. Guimarães a um conjunto de espectros sobre o relvado. Miguel Silva era o único ainda de pé, a contrariar quem lhe aparecia pela frente. Defendeu com o pé esquerdo o remate de Gelson Martins (70’) e viu Bruno Fernandes acertar na trave (81’). Mas nada pôde fazer para evitar o 0-5, por Adrien Silva. A jogada é digna dos compêndios: Bruno Fernandes lançou Jonathan Silva, este passou para Gelson Martins, que descobriu Adrien na área. O capitão do Sporting combinou com Iuri Medeiros e depois atirou para o fundo da baliza vimaranense. Tudo simples, tudo fácil.

O trauma estava superado. O Sporting viaja para a Roménia, onde joga a decisão do play-off de acesso à Liga dos Campeões, com confiança renovada. E deixa para trás os cacos do que era o V. Guimarães, que em quatro jogos oficiais esta época já sofreu 13 golos.