Após a reposição das areias, reabriu a praia da Franquia em Vila Nova de Milfontes

A deslocação de 130 mil toneladas de areias subtraídas ao leito do rio Mira e de um banco de sedimentos implicou um investimento de 1,7 milhões de euros.

Pedro Cunha
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Pedro Cunha

Os trabalhos de transposição de sedimentos da foz do rio Mira, para reforço do cordão dunar em Vila Nova de Milfontes, ficarão concluídos no final de Setembro mas a praia da Franquia, uma das beneficiou com a reposição de areias, já abriu ao público no início de Agosto para utilização balnear.

Nesta praia ainda foram também instaladas estruturas destinadas à drenagem de águas pluviais e colocados regeneradores dunares. A informação prestada pela Câmara de Odemira refere que o projecto beneficia ainda a praia das Furnas, na margem sul do rio Mira.

A operação prevê a retirada de 130 mil toneladas de areia do leito do rio, “até um máximo de 1,5 metros de profundidade abaixo do nível do mar”, assinala a autarquia alentejana.

Um volume de inertes com cerca de 100 mil toneladas foi colocado na praia da Franquia e o restante será destinado à reposição do areal na praia das Furnas.

A empreitada de transposição de sedimentos da foz do rio Mira para reforço do cordão dunar e alimentação artificial da praia da Franquia e das Furnas visa a “mitigação da erosão destas zonas balneares e consequentemente a minimização do risco para pessoas e bens”, assinala a Polis Litoral Sudoeste — Sociedade para a Requalificação e Valorização do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, S.A.

Para além do reforço cordão dunar e do incremento da qualidade da zona balnear, esta acção irá permitir o desassoreamento do principal canal do rio Mira diminuindo, assim, a intensidade das correntes junto às praias, principal agente erosivo, e ainda a melhoria das condições de navegabilidade no canal principal do estuário do rio.

A operação concentrou-se na remoção de um banco de areia que se foi formando ao longo de décadas na foz do rio. Com a acumulação de inertes, a água passou a contornar o obstáculo, retirando areia da praia da Franquia.

André Matoso, presidente da Polis Litoral Sudoeste, explicou, no início dos trabalhos em Janeiro deste ano, que a formação do banco de areia, junto à foz do rio Mira, “poderá ter decorrido do enfraquecimento do caudal do rio Mira com a construção da barragem de Santa Clara, inaugurada em 1969”.

O investimento total, incluindo o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) e a elaboração dos projectos, “ronda 1,7 milhões de euros, comparticipado em 85% pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR/Fundo de Coesão)”, esclarece a autarquia do litoral alentejano.