Maduro ameaça levantar imunidade dos deputados da oposição

"Pela paz dos venezuelanos sou capaz de tudo, até de falar com o diabo". O Presidente Venezuelano anunciou que irá reestruturar o Ministério Público, que tem assumido posições contrárias à presidência.

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O tom de Nicólas Maduro aos opositores do regime e da Assembleia Constituinte continua a subir. Esta segunda-feira, o Presidente venezuelano deixou alguns avisos e acusou a oposição de ser "cobarde" por não aceitar dialogar. A consequência? Maduro garante que alguns líderes da oposição irão ser presos e outros vão acabar num centro psiquiátrico.

O Presidente venezuelano também avisou que irá levantar “a imunidade parlamentar a quem houver para levantar” e agirá contra “a burguesia parasita” para solucionar a crise económica e irá garantir que “se faça justiça”.

Pela paz dos venezuelanos sou capaz de tudo, até de falar com o diabo se for necessário", sublinhou Maduro, enquanto falava para centenas de apoiantes que se concentraram na Praça Bolívar de Caracas para celebrar a eleição de membros da Assembleia Constituinte.

O “tudo” poderá passar, por exemplo, pela reestruturação do Ministério Público, que tem assumido posições contrárias ao regime. Uma medida já confirmada pelo Presidente.

Maduro criticou ainda a cobertura noticiosa das eleições de domingo e pediu à Comissão Nacional de Telecomunicações para abrir uma investigação contra a estação privada de televisão Televen, que acusou de dar prioridade à cobertura de conflitos opositores e não informar sobre o processo eleitoral, cita a agência Lusa.

Maduro insistiu que a nova Assembleia Constituinte vai ser usada para promover o diálogo e a paz nacional, acabar com a sabotagem opositora, a guerra económica e reestruturar o Ministério Público. "Acabou-se a sabotagem da Assembleia Nacional. A Constituinte chegou para pôr ordem", asseverou.

De acordo com os dados da Comissão Nacional Eleitoral, votaram na eleição dos 545 membros da Assembleia Constituinte mais de oito milhões de venezuelanos (41,5% dos eleitores). Já a oposição estima que a participação foi de apenas 12% e destaca a violência. As eleições ficaram marcadas por pelo menos dez mortes.

A Assembleia Constituinte vai ser empossada num prazo de 24 a 72 horas. com Lusa