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Archiporn: uma viagem (virtual) pela arquitectura mundial

Dupla de arquitectos brasileiros criou um mapa digital que é uma viagem pela arquitectura, sobretudo a partir dos anos 1990. Há quase três mil obras para descobrir — e Portugal está também na rota

Já lá vão quase duas mãos cheias de anos desde que Marcio Novaes Coelho Jr. começou a aventura. Durante a pesquisa para o seu doutoramento, o arquitecto brasileiro fez um levantamento das obras arquitectónicas que pretendia visitar em Berlim, onde estava a estudar. A ideia revelou-se produtiva — e, por isso, Marcio passou a fazer o exercício em todas as cidade que pretendia visitar. Às tantas, "surgiu a ideia então inusitada de ampliar aquele mapeamento e transformá-lo num guia de arquitetura mundial".

Pensado e feito. De volta ao Brasil, desafiou o sócio do seu atelier de arquitectura, Silvio Sguizzardi, a juntar-se a ele, "testando formatos e buscando algum modo de viabilizar o projecto", e o Archiporn começou a nascer. O objetivo do guia é "proporcionar uma base de informações sobre a arquitectura mundial, para ser usado para visitas, pesquisa ou mera consulta, por amantes da arquitectura", explicaram ao P3 numa entrevista via email.

Os arquitectos, que são também professores universitários, querem com o Archiporn contribuir para a divulgação da "produção de alta qualidade de arquitectos advindos das mais diferentes culturas e localidades, geralmente pouco divulgada e conhecida, proporcionando um panorama mais rico e diverso da arquitectura contemporânea".

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Uma base de informações sobre a arquitectura mundial

Apesar do enfoque ser na arquitectura dos nossos dias e naquela que se tem feito desde os anos 90, o guia inclui várias épocas. Para já são quase três mil obras de seis continentes, Antártida incluída — e o plano é continuar a alargar a viagem. Os critérios da dupla passam por identificar não apenas obras consagradas mas também aquelas que, sendo de "grande qualidade", são menos mediáticas, por serem produzidas por jovens arquitectos ou estarem em lugares remotos. "Nos últimos meses, temos feito um grande esforço para incluir obras em países ainda não representados no guia e, ampliar a representação em localidades cuja arquitectura nos é pouco conhecida, como a África e Ásia", explicam.

E Portugal, também está na rota? "Temos, naturalmente, grande admiração pela arquitectura portuguesa. Infelizmente, ainda não tivemos a oportunidade de incluir no guia tudo o que gostaríamos no país, faltando, certamente, obras fundamentais", respondem. Entre as já citadas, estão os incontormáveis Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura e Fernando Távora, mas também nomes como Gonçalo Byrne, Carrilho da Graça, Aires Mateus e ARX Portugal. Vamos passear?