Inglaterra bicampeã em Palmela

No Montado Hotel & Golf Resort, defendeu o título, ao bater na final a Itália

Inglaterra demonstra ser a grande potência da actualidade no golfe feminino amador © VASCO VILHENA
Foto
Inglaterra demonstra ser a grande potência da actualidade no golfe feminino amador © VASCO VILHENA

A Inglaterra revalidou o título no 34.º Campeonato da Europa Amador de Equipas Femininas, que a Associação Europeia de Golfe (EGA), organizou durante cinco dias, em colaboração com a Federação Portuguesa de Golfe (FPG), no Montado Hotel & Golf Resort, no Concelho de Palmela. 

Da equipa campeã europeia de 2016 na Islândia passou-se para o calor tórrido do Montado em 2017 e só uma jogadora se manteve na formação que revalidou o título, sendo também a 6ª vez que Inglaterra se apodera da medalha de ouro da competição. 

Na final, as inglesas, que venceram a competição pela décima vez deste que esta foi criada em 1959, bateram o forte conjunto de Itália por 5,5-1,5, mas trata-se de um resultado enganador, uma vez que os dois últimos encontros foram abandonados (empatados), depois do ponto da vitória ser sido alcançado por Gemma Clews diante de Angelica Moresco por 1 up. É sempre espetacular ver uma final terminar no bonito e emocionante cenário do buraco 18 do Montado, um Par-3 com o green numa ilha. 

Inglaterra entrou forte, vencendo os dois duelos de pares (foursomes) matinais: Gema Clews e Sophie Lamb superiorizaram-se a Bianca Maria Fabrizio e a Tasa Torbica por 4/2; e Alice Hewson e India Clyburn levaram a melhor sobre Clara Manzalini e Carlotta Riccolfi por 2/1. 

Nos singulares (singles) da tarde as inglesas estavam a vencer dois matches aos nove buracos, mas as italianas ripostaram nos segundos nove e a dada altura deu ideia de as transalpinas poderem dar a volta ao resultado, mas as inglesas souberam manter o sangue frio nos momentos finais. Lianna Bailey impôs-se por 3/2 a Clara Manzalini; Alice Hewson e Carlotta Riccofli empataram; e quando Gemma Clews venceu estava assegurada a vitória, numa altura em que India Clyburn e Tasa Torbica estavam empatadas para o 18.º buraco e Roberta Liti estava a dominar Sophie Lamb por 2 up a meio do 17. 

Steve Robinson, o treinador da seleção inglesa, admitiu ao Gabinete de Imprensa da FPG que foi um título bem sofrido e bem saboreado com um mergulho de toda a equipa na piscina do Montado Hotel & Golf Resort. 

“Ontem, na Finlândia, a Itália defrontou as nossas raparigas no Europeu de sub-18. Também lá nós ganhámos os dois foursomes e depois a Itália venceu os cinco singles. Sabíamos hoje que a Itália iria atirar-nos para cima com tudo o que tinha e foi isso que fizeram. São um povo orgulhoso e não iriam aceitar bem o 2-0 da manhã. À tarde, a dada altura parecia que poderiam sair-se por cima em 70% dos matches mas no final as nossas jogadoras foram-se aguentando até darem-nos o último ponto." 

Para Steve Robinson, os dois títulos europeus, em 2016 e 2017, foram bem distintos: 

“Quando ganhámos no ano passado, foi a nossa primeira vitória em 23 anos. Tínhamos estado perto muitas vezes e fomos quartas classificadas em quatro ocasiões. No ano passado tínhamos jogadoras que tinham essa vivência dessas derrotas dolorosas. Duas delas passaram a profissionais no ano passado e foi bom para elas deixarem o estatuto amador com a medalha de ouro do Europeu. Pelo contrário, esta é uma equipa nova e só veio a Portugal um jogadora da equipa do ano passado. Para elas, terem esta experiência de uma medalha de ouro do Europeu é fantástico e foi um momento bem emotivo”, disse. 

No confronto do 3.º e 4.º lugares a Suécia, que tinha sido a melhor na primeira fase do torneio, em stroke play (por pancadas), arrebatou a medalha de bronze, ao vergar a Espanha por 4,5-2,5. 

A classificação final do Europeu feminino foi a seguinte: 1.ª Inglaterra, 2.ª Itália, 3.ª Suécia, 4.ª Espanha, 5.ª Dinamarca, 6.ª Alemanha, 7.ª Holanda, 8.ª Bélgica, 9ª Irlanda, 10.ª França, 11.ª Escócia, 12.ª República Checa, 13.ª Noruega, 14.ª Áustria, 15.ª Eslováquia, 16.ª Suíça, 17.ª Finlândia, 18.ª Islândia e 19.ª Portugal. 

O presidente da Federação Portuguesa de Golfe não estava, naturalmente, satisfeito com o resultado de Portugal, mas, em declarações à GMK, deixou uma palavra de esperança às jogadoras Joana Mota, Beatriz Themudo, Leonor Bessa, Sara Gouveia, Leonor Medeiros e Sofia Barroso de Sá: 

“Uma das preocupações quando nos candidatámos há dois anos à organização desta prova, foi termos direito a uma equipa. O nosso objetivo era ir preparando uma equipa ao longo destes dois anos, mas a rotação entre as atletas é muito grande, por várias razões, incluindo os estudos. Algumas abandonaram mais ou menos a modalidade e acabámos por trazer uma equipa muito jovem, com os handicaps médios mais altos das 19 equipas presentes. Ainda assim, houve alguns bons sinais, algumas atletas apresentaram bom potencial. O que iremos fazer de certeza absoluta é um trabalho muito forte com as seleções femininas para que possam vir a ter classificações muito melhores do que esta prestação, que ficou aquém das nossas capacidades.” 

Vale a pena recordar que, de acordo com os registos históricos da EGA, Portugal não participava no Europeu desde 1995 e foi apenas a terceira vez que o país organizou este torneio em 34 edições. Luís Costa Macedo, o capitão de Portugal, também salientou ter sido “a equipa mais jovem da prova, com uma média de idades de 17 anos, duas jogadoras de sub-14, uma de sub-18 e uma que vai ainda fazer 19 anos este ano. Em todas as outras equipas não havia uma única jogadora de sub-18”. 

Se o resultado desportivo não foi o melhor para Portugal, o prestígio da capacidade organizativa da FPG e do Montado Hotel & Golf Resort foi uma vez mais confirmado, como contou o alemão Rolf Nagel, membro da Comissão Executiva da EGA e parte da Comissão Organizativa do torneio: 

“Foi tudo muito bem organizado. O campo estava em excelentes condições e a equipa de manutenção foi inexcedível, cortando os greens duas vezes por dia. O serviço do hotel, do restaurante, dos transportes para o aeroporto funcionou a cem por cento. A equipa de arbitragem é de grande qualidade, o quadro de resultados e todo o sistema de scoring estava bem instalado. E depois, houve detalhes preciosos como, nos dias de grande calor, o sistema de rega foi acionado durante a competição para que o ambiente arrefecesse e as jogadoras pudessem refrescar-se e houve sempre águas e gelo em arcas frigoríficas espalhadas pelo campo para combater a desidratação.” 

João Coutinho, o diretor de torneio e diretor-técnico nacional da FPG, em declarações à GMK, admitiu que “houve dias muito desafiantes, com 39 graus centígrados, exigindo grande esforço das atletas, mas o balanço técnico é positivo, o campo foi preparado ao longo dos últimos meses especificamente para esta competição, houve bom golfe e bons resultados num campo que não estava fácil”. 

Veja mais em www.golftattoo.com