Souto de Moura vence prémio europeu com intervenção no Convento das Bernardas

Projecto da Escola Superior Galécia, de Vila Nova de Cerveira, também distinguido pela AADIPA e pelo Colégio Oficial de Arquitectos da Catalunha, em Barcelona.

Convento das Bernardas, em Tavira
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Convento das Bernardas, em Tavira Luís Ferreira Alves

A intervenção no antigo Convento das Bernardas (2009-12), em Tavira, transformado num complexo residencial e turístico, valeu a Eduardo Souto de Moura o Prémio Europeu de Intervenção em Património Arquitectónico 2017, uma iniciativa conjunta da Associação de Arquitectos para a Defesa e Intervenção no Património Arquitectónico (AADIPA) e do Colégio Oficial de Arquitectos da Catalunha, anunciado esta quinta-feira na sede desta última instituição, em Barcelona.

O projecto do arquitecto português foi distinguido na categoria Intervenção no Património Construído, cuja shortlist incluía quatro outras candidaturas (três delas em Espanha e outra na Dinamarca). O júri decidiu-se pelo trabalho no Convento das Bernardas valorizando especialmente “a dificuldade de obter uma grande qualidade arquitectónica inserida no sector privado, sem comprometer as qualidades arquitectónicas e patrimoniais do convento original, transformando-o num complexo residencial de alojamento turístico”.

Nesta categoria, o júri decidiu também fazer uma menção especial ao restauro da Torre Catalã d’Es Pi, em Formentera, nas Ilhas Baleares, de autoria de Marià Castellò.

Na ficha de apresentação do seu projecto de intervenção no convento algarvio fundado há mais de 500 anos, e que também chegou a funcionar como fábrica, Souto de Moura escreveu: “O património não é um caso especial de projecto, precisa apenas de mais 20% de honorários, porque o tosco já lá está. Não precisa de ‘cuidados intensivos’, precisa apenas de outros cuidados, porque cada caso é um caso, quer dizer, uma casa."

A AADIPA distinguiu o outro projecto português que estava na shortlist de 18 candidaturas das cerca de duas centenas apresentadas a esta terceira edição do prémio. Trata-se da Escola Superior Galécia, em Vila Nova de Cerveira, que viu o seu projecto Versus – Lições do Património Vernacular à Arquitectura Sustentável, um curso coordenado por Mariana Correia, premiado na categoria Divulgação (que incluía três outros finalistas, todos espanhóis).

Na categoria Espaços Exteriores, foi distinguida a intervenção nas hortas de Caramoniña, em Santiago de Compostela, pelo atelier Abalo Alonso Architects (Corunha). Já na categoria Planificação Urbana, o prémio foi para o Plano Especial de Protecção do Património da Antiga Vila de Sant Andreu de Palomar, um bairro a Norte de Barcelona, de autoria do arquitecto Joan Casadevall Serra. Nesta categoria, entre os quatro finalistas, o júri atribuiu também uma menção honrosa ao Estudo Programático e Urbano para o Edifício Citröen em Bruxelas, do atelier belga MS-A/ Wessel De Jonge.

O Prémio Europeu de Intervenção em Património Arquitectónico tem periodicidade bienal, e na edição anterior já distinguira dois projectos portugueses: a Casa E/C, na Ilha do Pico, Açores, do atelier SAMI – Arquitectos (Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira); e a publicação que João Campos co-assinou com o espanhol Fernando Cobos sobre as fortificações de Almeida e Cidade Rodrigo.