Reportagem

A Simoldes no topo da tabela

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A Simoldes é um dos principais patrocinadores da Oliveirense Paulo Pimenta

Quando sai do carro para entrar no Pavilhão Salvador Machado, o vice-presidente do Grupo Simoldes – líder europeu no fabrico de moldes com vendas anuais na ordem dos 650 milhões de euros – pede ao filho que ajeite o casaco. É um blusão do Benfica, branco com mangas vermelhas, e os funcionários do pavilhão atiram ao rapaz uns piropos de espanto, ao vê-lo passar nesses preparos: “Ui! Um casaco do Benfica aqui? Eles já tas dizem!”.

Pouco depois, ao cumprimentar os mais velhos na secretaria, a ameaça confirma-se: o filho de Rui Paulo Rodrigues é recebido com críticas à escolha da indumentária, mas resiste, estóico, às piadas e risos do pessoal da casa. Afinal, todos estão cientes daquilo que o pai já esclarecera ao PÚBLICO logo à entrada: “Sim, ele é do Benfica. Mas sabe muito bem que o Benfica vem sempre em segundo lugar para a Oliveirense!”.

É por isso que, entre as várias colectividades e instituições sociais que a Simoldes apoia no município de Oliveira de Azeméis, a União Desportiva Oliveirense (UDO) ocupa um lugar especial. Rui Paulo não revela que montante reserva anualmente para o efeito, mas assume que o clube absorve a maior parcela do orçamento que a Simoldes afecta à comunidade e confirma que, entre as três modalidades da casa, o hóquei recebe a fatia mais generosa. Aliás, todos parecem estar a par disso na cidade: “Se a Simoldes não ajudasse a equipa, eles não estavam ao nível a que se encontram agora”, ouve-se na pastelaria Gemini.

A gestão da UDO também se faz com recurso à ajuda financeira da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, que nos últimos anos tem apoiado o clube com cerca de 250.000 euros anuais, mas o presidente da autarquia, Isidro Figueiredo, nota que esse valor é para repartir por todas as modalidades. “O futebol e o basquetebol também pesam muito nas contas, por muito que o hóquei seja a modalidade em que o clube obtém melhores resultados”, explica.

É o apoio da Simoldes, contudo, que atletas e adeptos mais vezes referem como determinante para o desempenho do clube, embora Rui Paulo Rodrigues defenda que o seu grupo empresarial só tenta fazer aquilo que a tutela nacional da modalidade tem negligenciado. “Já tivemos mais prática de hóquei em Portugal e não me venham dizer que isso acabou por a modalidade não ser olímpica – como em todas as áreas de actividade, tem é que se renovar e modernizar processos para avançar e só as entidades mais altas do hóquei é que parece que ainda não perceberam isso”, defende o vice-presidente do grupo com cerca de 30 empresas e mais de 4000 funcionários.

Oliveirense e Simoldes definiram, por isso, mecanismos próprios para garantir ao município a longevidade do seu desporto mais bem-sucedido: um protocolo assinado com as escolas locais vai levar atletas do hóquei a vários estabelecimentos de ensino, para que, já no próximo ano lectivo, a UDO possa cativar crianças e jovens com demonstrações práticas da modalidade. “Só com formação a começar nos mais pequenos é que a Oliveirense se pode desenvolver mais”, justifica Rui Paulo Rodrigues. “Mas isto não é só para depois termos mais atletas no clube: é também para a juventude do concelho estar ocupada, longe de vícios e sem passar o tempo todo agarrada a computadores e a telemóveis”.