Estudantes do ensino público gastam mais 781 euros quando estudam longe de casa

No ensino privado, a diferença ascende aos 3194 euros. Mais de metade dos alunos vive em casa dos pais ou familiares.

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EVA CARASOL / PUBLICO

A residência é um dos gastos com maior influência nos custos da frequência do ensino superior, revela o estudo do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Os estudantes do ensino público que estão deslocados gastam, em média, mais 781 euros por ano que os seus colegas que continuam a viver junto do agregado familiar. No ensino privado essa diferença é ainda mais elevada.

De acordo com os dados recolhidos pela equipa coordenada por Luísa Cerdeira, as despesas totais anuais de um estudante do ensino público que viva fora de casa ascende a 6269 euros, ao passo que os que continuam a viver na casa dos pais gastam 5488 euros. O impacto dos custos de deslocação é ainda mais elevado no caso do ensino privado. Para os alunos deste sector, o custo total ascende aos 12.268 euros anuais se tiverem que ficar longe de casa. Para os colegas que continuam a viver com a família, esse valor fica 9075 euros, ou seja, menos 3194 euros por ano.

“Consoante os estudantes estivessem a viver com os pais e familiares, em residência universitária, em casa, apartamento, quarto de aluguer ou em casa própria, a estrutura e o valor dos custos varia”, sublinham os autores do estudo.

Globalmente, 35,5% dos estudantes do ensino superior estão deslocados, uma realidade sobretudo para os alunos do ensino público, onde 40% vivem fora de casa do agregado familiar. No sector privado, estes valores são bastante inferiores: 15,2% nas universidades particulares; 9,5% nos politécnicos.

A maioria dos alunos inquiridos vive em casa dos pais ou familiares (51%). O número dos que vivem em casa própria é classificado como “residual” pelos autores desta investigação (8,6%), bem como o número daqueles que optam por viver em “residência universitária” (5,8%). De resto, entre o primeiro estudo de Luísa Cerdeira, que diz respeito ao ano lectivo 2004/2005, e este, cujos resultados foram obtidos em 2015/16, o número de estudantes que vive em residências universitárias sofreu um decréscimo, de 8% para 6%. Em sentido contrário, o número dos que vivem em “quarto ou apartamento alugado” aumentou, fixando-se agora nos 34%. Em 2004/2005, esse valor fica-se pelos 28%.

A diminuição da procura das residências universitárias pode ter a ver “com o facto de nas grandes cidades, mas sobretudo Lisboa,  os Serviços Sociais terem muito poucas camas por estudante, não respondendo à procura”, avalia Cerdeira. A esta, acrescenta outras razões como o estado de conservação face ao escasso investimento nestes espaços por parte das instituições de ensino superior nos últimos anos.