Casas de abrigo tinham 239 mulheres e 293 crianças institucionalizadas em Março

A Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica conta actualmente com 127 estruturas de atendimento.

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paulo pimenta/Arquivo

A Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica conta actualmente com 127 estruturas de atendimento e, em Março deste ano, nas 39 casas de abrigo estavam 263 mulheres e 293 crianças institucionalizadas.

Estes dados foram divulgados esta quarta-feira por Cláudia Mateus, da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), durante o seminário internacional Sobre Violência Doméstica, organizado pelo Comando Territorial da GNR de Castelo Branco.

A Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica conta actualmente com 39 casas de abrigo para mulheres (679 vagas) e no mais recente balanço, feito em Março deste ano, estavam institucionalizadas 263 mulheres e 293 crianças, filhas das primeiras. Claúdia Mateus adiantou que existem 127 estruturas de atendimento, 13 respostas de emergência (136 vagas) e uma casa de abrigo para homens (10 vagas).

Já o presidente da Câmara de Castelo Branco, Luís Correia, adiantou que o Núcleo Distrital de Apoio à Vítima (NAV), que para o distrito funciona na Amato Lusitano - Associação de Desenvolvimento, recebeu 125 novos casos, 11 dos quais de jovens com menos de 18 anos e foram realizados mais de 1200 atendimentos.

À margem do seminário, a Procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, realçou a necessidade de continuar a trabalhar com todo o rigor e preocupação e em articulação, de forma a que as situações de perigo sejam sinalizadas o mais precocemente possível.

"Para isso, é preciso um trabalho conjunto das instituições de solidariedade social (IPSS), do Ministério Público (MP), dos tribunais, comissões de protecção e, verdadeiramente, os passos que se vão caminhando e os êxitos que se vão obtendo, dependem de uma maneira muito clara da capacidade de articulação e de trabalho em conjunto", frisou.

Já quanto ao aumento da violência doméstica, adiantou que os estudos existentes vão no sentido de não se conseguir detectar se existe mais ou se existe menos. "Os fenómenos de violência que estão relacionados com violência doméstica são já fenómenos muito antigos e a maneira como tem sido encarada ao longo dos anos tem evoluído. Todos nos lembramos que há 20 anos a atenção que se dava à violência era uma atenção diminuta e havia uma tolerância social relativamente a esse fenómeno. Actualmente não é assim", sustentou.

A magistrada que dirige o Ministério Público realçou que tudo isso, leva a que haja uma maior sinalização por parte de todas as entidades e que a comunidade esteja mais alerta e principalmente que o cidadão esteja cada vez mais intolerante face a uma atitude de violência que é verdadeiramente atentatória da dignidade humana.

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