DGS diz que para aumentar vida saudável é preciso actuar a partir dos 50 anos

Perdemos anos de vida saudável em 2014. Mulheres estão em pior situação do que os homens. Dados, revelados em Novembro, mereceram uma análise detalhada numa reunião entre especialistas da Direcção-Geral da Saúde, do Instituto Nacional de Estatística e da base de dados Pordata.

Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

A esperança de vida saudável aos 65 anos não teve a evolução positiva que os responsáveis pelo Plano Nacional de Saúde (PNS) acreditavam ser possível e agravou-se, ao contrário do que aconteceu com a esperança de vida, que não pára de aumentar. A situação piorou sobretudo para as mulheres que, apesar de viverem mais do que os homens, gozam os últimos anos com menos saúde: aos 65 anos, as portuguesas podiam esperar viver sem incapacidades, doenças ou limitações de longa duração apenas 5,6 anos em média, enquanto os homens tinham nessa idade pela frente 6,9 anos de vida saudável. São dados de 2014 que o PÚBLICO já divulgou em Novembro, mas que esta sexta-feira merecem destaque numa folha informativa do PNS da Direcção-Geral da Saúde.

Para melhorar a qualidade de vida após os 65, não basta actuar a partir destas idades, é preciso começar bem antes, diz Rui Portugal, director executivo do PNS. “Há muitos projectos para crianças, para jovens e para idosos em Portugal, agora temos que pensar também em projectos para as pessoas a partir dos 50 anos.”

As empresas podem proporcionar algum tipo de actividade física e gestão de stress, saúde ocupacional, os municípios podem actuar no urbanismo, nos transportes públicos, é preciso mudar estilos de vida ao nível da alimentação, do exercício físico, do combate ao tabagismo, exemplifica Rui Portugal. E há, recorda, um grupo de trabalho criado em Outubro que está a estudar uma proposta de Estratégia Nacional para o Envelhecimento Activo e Saudável.

A boa notícia enfatizada o boletim da Direcção-Geral da Saúde é a de que a esperança de vida continua a aumentar. Numa década, e aos 65 anos, aumentou 8% para as mulheres e 10% para os homens. Já a esperança de vida saudável, apesar de ter melhorado na década em análise, caiu de forma abrupta em 2014 face ao ano anterior, segundo os dados do Eurostat (gabinete de estatísticas da União Europeia) que nos deixam particularmente mal nesta “fotografia”. As mulheres figuram mesmo na terceira pior posição na tabela dos 28 países, apenas acima da Letónia e da Eslováquia e, face ao país melhor colocado nesta tabela (Suécia), tinham em 2014 uma esperança de vida saudável inferior em 8,3 anos, em média.

Face a este agravamento, Rui Portugal diz que ainda não está decidido se se vai ou não alterar a meta que foi definida para 2020 — e que previa um aumento em 30% dos anos de vida saudável.

Aliás, a queda surpreendeu de tal forma as autoridades de saúde que mereceu uma análise detalhada numa reunião entre especialistas da Direcção-Geral da Saúde, do Instituto Nacional de Estatística e da base de dados Pordata. A conclusão foi a de que este indicador tem que ser relativizado, tendo em conta a sua subjectividade (é obtido por inquérito às condições de vida e rendimento dos indivíduos) e também porque houve uma alteração numa pergunta, explica Rui Portugal.

Seja como for, e independentemente dos aspectos técnicos do indicador, Rui Portugal assume que o desígnio do PNS deve ser “o de procurar, por todos os meios possíveis, atingir a melhoria da esperança de vida saudável” aos 65 anos e reconhece ser necessário “conseguir melhorar a percepção e as reais condições de vidas das pessoas nestas idades”.