Site norueguês obriga leitores a mostrar que leram os artigos antes de os deixar comentar

O NRKbeta quer manter na sua caixa de comentários discussões produtivas e construtivas. Para isso, quem quiser comentar (alguns) artigos tem de responder a três perguntas antes de entrar no debate.

As perguntas feitas aos leitores que querem comentar um explicador sobre uma proposta de lei sobre a vigilância digital
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As perguntas feitas aos leitores que querem comentar um explicador sobre uma proposta de lei sobre a vigilância digital D.R

O site tecnológico da empresa pública de rádio e televisão da Noruega, a NRK, pôs em prática, no último mês, uma nova forma de controlo da utilização feita das suas caixas de comentários. E os efeitos já se começam a sentir.

Há duas semanas, o NRKbeta publicou uma peça explicativa sobre a proposta de lei que visa a vigilância digital na Noruega. Apesar de o tema ser controverso e capaz de iniciar discussões inflamadas, os comentários ao texto mantiveram-se cordiais e construtivos, com vários links de pesquisas ou livros a serem sugeridos, relata o NiemanLab. Ora, o NRKbeta diz que a qualidade do debate se deve ao novo mecanismo aplicado a quem pretende escrever um comentário no seu site.

Em alguns artigos, os leitores que quiserem comentar terão de responder a três questões básicas de escolha múltipla sobre o próprio texto. O objectivo é confirmar que os leitores tenham realmente lido a história antes de os deixar intervir.

“Nós pensámos que deveríamos fazer a nossa parte e tentar garantir que as pessoas estão em sintonia antes de comentarem. Se toda a gente concorda que é isto que o artigo diz, então têm uma base muito melhor para o comentar”, afirmou ao NiemanLab, Stale Grut, jornalista do NRKbeta.

O jornalista e o director do site, Marius Arnesen, explicam que o NRKbeta é uma das poucas secções da NRK que oferece uma caixa de comentários aos leitores, criando uma comunidade fiel que normalmente têm conversas positivas. No entanto, algumas histórias atraem leitores que não são assíduos e as discussões resvalam.

Começando a pensar numa estratégia para tentar controlar o tipo de conversas que possam surgir, a redacção planeou esta espécie de quiz porque, assim, pelo menos garantia-se que os leitores tinham realmente lido o texto, possuindo assim a mesma base para a discussão. “Estamos a tentar estabelecer uma base comum para o debate”, diz Arnesen ao NiemanLab. “Se vais debater alguma coisa, é importante saber o que está no artigo e o que não está no artigo”.

Por agora, apenas alguns artigos trazem consigo as questões para os leitores, até que se comprove que realmente resulta. Se se provar a utilidade deste sistema, o quiz, que é criado pelo autor do texto, pode ser estendido a todas as histórias.