Diogo Costa Amarante: "É como se eles quisessem valorizar a manufactura"

Vencedor do Urso de Ouro para curta-metragem não contou com apoio do ICA.

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Diogo Costa Amarante a receber o prémio EPA/Lusa

Na conferência de imprensa dos vencedores - onde, tradicionalmente, o espaço dedicado às curtas é bastante curto, Diogo Costa Amarante praticamente só respondeu a jornalistas portugueses.

Como sucessor de Leonor Teles e João Salaviza no prémio berlinense, esquivou-se a responder ao que torna o cinema português tão forte no formato curto, preferindo dizer "são só boas notícias!". Mostrou-se também pouco disposto a assumir o "cliché" do cineasta português. "Sou um cineasta. Acontece que sou português, mas já vivi nos EUA, em Espanha, em Berlim..."

Inevitavelmente, a pergunta da polémica dos júris levantou-se; Cidade Pequena candidatara-se ao apoio do ICA, que acabou por não ter, e é uma produção inteiramente de autor. Mas Diogo Costa Amarante recusou confundir as coisas. "Não ter conseguido o apoio do ICA [para o meu filme] não exclui a minha vontade de me associar ao grupo de pessoas ligado à Associação Portuguesa de Realizadores, com cujos valores me identifico."

Em curto depoimento, um pouco mais tarde, ao PÚBLICO, em plena celebração, confessou-se surpreendido pelo prémio. "Confesso mesmo que sim, houve até amigos que me disseram que eu parecia um pouco pálido..." Pouco antes da breve conversa telefónica, o realizador tinha estado a conversar com o júri que o premiou, que lhe disse ter ficado muito comovido com o lado artesanal e familiar de Cidade Pequena, "feito com a minha irmã e o meu cunhado a fazer as luzes... Penso que é isso que o júri de Berlim tem feito ao premiar o cinema português. Não vejo uma linha condutora entre os vários filmes como o meu, da Leonor Teles, ou do João Salaviza... São filmes com idiossincrasias muito próprias, muito diferentes entre si, mas que têm algo de pessoal. É como se eles quisessem valorizar a manufactura."

Acima de tudo, Costa Amarante diz sentir-se um pouco fora da produção portuguesa. "Porque nunca estudei cinema em Portugal, só agora é que estou a regressar e a conhecer as pessoas e a enquadrar-me no meio. Ponho-me a mim e ao Gabriel Abrantes na mesma linha de realizadores que não fizeram o circuito tradicional português." Agora, é ver o que este Urso de Ouro lhe vai trazer. "Espero que sim, que abra portas...", lança antes de regressar ao jantar dos premiados.