Matos Fernandes defende que áreas protegidas devem ser activos diferenciadores do território

Ministro do Ambiente diz que houve um abandono das áreas protegidas nos últimos anos e que estes não foram geridos como activos diferenciadores

Enric Vives-Rubio/Arquivo
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Enric Vives-Rubio/Arquivo

O ministro do Ambiente, José Pedro Matos Fernandes, disse esta segunda-feira que houve um abandono das áreas protegidas nos últimos anos e que estes espaços não foram geridos como activos diferenciadores do território.

"Parece evidente o abandono a que os parques naturais foram votados nos últimos anos e nunca foram geridos como activos diferenciadores. Os municípios que têm áreas protegidas podem fazer, desse mesmo território, um território diferente", frisou o governante.

Matos Fernandes falava aos jornalistas, à margem da inauguração do Centro Interpretativo do Mundo Rural que ocorreu esta segunda-feira em Mogadouro, também ele integrado do Parque Natural do Douro Internacional, a segunda maior área protegida do país. "O que nós pretendemos é criar uma direcção em cada parque natural, que seja presidida por um autarca, e onde esteja sempre representado na sua direcção o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e um terceiro elemento que poderá ser uma Organização Não Governamental (ONG) ", explicou.

O Ministério do Ambiente quer assim uma maior proximidade na gestão do território por parte das autarquias, mediante regras "absolutamente reconhecidas e claras" para que haja uma melhor promoção das áreas protegidas. Por seu lado, o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes, Américo Pereira, disse que o modelo de gestão das áreas protegidas por parte do ICNF "está completamente falido e não satisfaz as populações". "As áreas protegidas têm de ser geridas pelas populações, na pessoa dos seus autarcas e com a parceria do ICNF", defendeu o também presidente da câmara de Vinhais, um concelho que em conjunto com Bragança integra o Parque Natural de Montesinho.

Para o autarca, o valor das áreas protegidas em muito se deve às populações que as souberam proteger ao longo dos anos. "O ICNF tem conduzido, ao longo dos anos, à destruição das áreas protegidas", concluiu o autarca trasmontano.