Canil do Porto vai para Campanhã

A obra que deverá rondar 1,5 milhões de euros deverá estar no terreno no segundo semestre deste ano

O actual canil não tem condições e há muito que se pede a sua substituição
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O actual canil não tem condições e há muito que se pede a sua substituição Nelson Garrido

A Câmara do Porto espera começar a construir o novo canil da cidade, denominado Centro de Recolha Oficial, no segundo semestre deste ano. O anúncio foi feito através do jornal da autarquia, que está a ser distribuído gratuitamente durante o mês de Janeiro. O investimento previsto é de 1,5 milhões de euros.

Há muito que a cidade reclama um novo canil, já que o edifício na Rua de S. Dinis não tem condições e tem de ser encerrado, como admitiu, em 2015, o vereador do Ambiente, Filipe Araújo, durante a apresentação de uma proposta da CDU relacionada com o bem-estar animal. O documento acabaria por ser chumbado, em parte porque, segundo argumentou o vereador, as medidas ali propostas já estavam a ser preparadas. Uma delas era a construção do centro de recolha.

De acordo com o jornal Porto., o novo espaço ficará instalado num terreno que faz parte do Viveiro Municipal, na zona de Azevedo, em Campanhã. “Será uma estrutura moderna que vai garantir o aumento das actuais 94 boxes para 220”, especifica a publicação. Apesar de se destinar sobretudo à recolha de cães e gatos, o centro também poderá acolher, no futuro, “outras espécies, sempre que necessário”.

A obra ficará a cargo da empresa municipal GOP – Gestão de Obras Públicas, que está a trabalhar no projecto de execução. A expectativa, revelada pela publicação, é que os trabalhos de construção possam arrancar no segundo semestre deste ano.  

O actual canil do Porto está instalado na Rua de S. Dinis há cerca de 80 anos, e sem condições. Em 2015, o pedido do PÚBLICO para fotografar o interior das instalações, após a discussão do tema no executivo, foi mesmo recusado pela Câmara do Porto. Na altura, Pedro Carvalho, da CDU, procurou ver aprovada uma proposta que, além da construção de um novo centro de recolha animal, defendia também a criação de uma campanha de esterilização e a coordenação, em rede, de centro de recolha da área metropolitana.

A proposta foi retirada numa primeira abordagem – com Filipe Araújo a prometer apresentar uma série de dados sobre a situação do canil e o plano da câmara para o futuro, sobre este tema – e acabaria por ser chumbada na reunião de 6 de Abril de 2015, com o vereador a garantir que alguns dos pontos sugeridos já estavam previstos e o presidente da câmara, Rui Moreira, a argumentar que havia aspectos da proposta comunista (como a esterilização e a coordenação metropolitana) difíceis de implementar.

A câmara acabaria mesmo por lançar uma campanha de esterilização que, segundo as contas da própria autarquia, chegou a 150 animais, entre Janeiro e Setembro do ano passado. A adopção responsável de cães e gatos é outra das vertentes que o município tem procurado reforçar e, para os interessados, há mesmo imagens dos animais disponíveis para esse fim na página da internet http://www.cm-porto.pt/saude-publica-veterinaria/pretende-adotar-um-animal . A câmara garante que os números têm subido, registando um acréscimo de 10% nas adopções de 2015, comparando com o ano anterior – tendência que se manteria até Setembro de 2016.

O futuro Centro de Recolha Oficial vai ter espaços distintos para os serviços oficiais e de adopção. Segundo o Porto., o espaço terá um bloco cirúrgico, sala de enfermagem, áreas de exercício, de tosquia e de higienização.

Quando o vereador Filipe Araújo apresentou um conjunto de dados sobre o actual canil, em 2015, Rui Moreira realçou que o número de animais abandonados na cidade do Porto eram “impressionantes”. E, apesar de a taxa de adopção ser “excepcional”, isso não significava que os animais que seguiam para casa de novos donos estavam a salvo. “As pessoas adoptam e esquecem-se que vão ter férias. Mas, em Julho e Julho, vão de férias e soltam o animal na rua. Depois, em Setembro, vão adoptar outro”, disse, na altura, o presidente da câmara, frisando que era preciso encontrar uma nova forma de lidar com este problema.