Jornalistas enfrentam “a mais grave crise das suas vidas profissionais”

Há jornalistas que só sobrevivem graças ao Rendimento Social de Inserção, denunciou presidente da Casa da Imprensa.

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Maria Flor Pedroso, presidente do 4.º Congresso de Jornalistas MIGUEL A. LOPES/LUSA
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Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas MIGUEL A. LOPES/LUSA
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Marcelo Rebelo de Sousa com organizadores do congresso MIGUEL A. LOPES/LUSA
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Michael Rezendes, jornalista de investigação americano, vencedor do Prémio Pulitzer em 2003, ao serviço do "The Boston Globe" Nuno Ferreira Santos
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Mário Zambujal, presidente do Clube dos Jornalistas MIGUEL A. LOPES/LUSA
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O presidente da Casa da Imprensa, José Goulart Machado MIGUEL A. LOPES/LUSA

Passados quase 20 anos desde o último congresso de jornalistas, a classe enfrenta “a mais grave crise das suas vidas profissionais”. Durante este período de tempo abandonaram a profissão duas mil pessoas e há jornalistas que sobrevivem graças ao Rendimento Social de Inserção, afirmou esta quinta-feira o presidente da Casa da Imprensa, Goulart Machado, na sessão de abertura do 4.º Congresso de Jornalistas, que decorre até domingo no Cinema São Jorge, em Lisboa.

O Presidente da República, Marcelo de Rebelo de Sousa, que também falou na inauguração do evento, disse olhar “com muita preocupação para a situação dos jornalistas”. Lembrando que também foi jornalista e director de jornais, sublinhou que “a precariedade enfraquece a profissão e sem jornalismo estável e independente não há democracia sólida em Portugal”, notando que quase um terço dos 7750 jornalistas em Portugal são estagiários. O Presidente diz que, para encontrar soluções, é preciso “envolver patrões, empresários” e também  “fazer chegar a real situação dos jornalistas aos cidadãos”.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas, Sofia Branco, lembrou que o jornalismo está a braços “com a mais alta taxa de desemprego de sempre”. Ao mesmo tempo, “os salários são indignos face à responsabilidade social dos jornalistas”, notando que um terço recebe menos de 700 euros líquidos de remuneração, num clima profissional em que lhes é pedido “que façam muito em pouco tempo”, com uma actividade condicionada por agendas impostas por direcções e administrações.

Quando é a sobrevivência pessoal que está em causa, “o medo e a autocensura prevalecem” e “o espírito crítico está adormecido”, disse a dirigente sindical. “Quatro em cada dez jornalistas dizem que têm medo de perder o emprego”, disse a presidente do congresso, a jornalista Maria Flor Pedroso, para quem chegou o tempo “de passar do diagnóstico à procura de soluções”.