Torne-se perito

Intelectuais dizem que Inês Pedrosa é vítima de perseguição

Acusada pelo Ministério Público de abuso de poder, antiga directora da Casa Fernando Pessoa foi alvo de manifestação de solidariedade.

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Inês Pedrosa esteve seis anos à frente da Casa Fernando Pessoa Miguel Manso

Uma carta aberta subscrita por perto de quatro dezenas de intelectuais diz que a antiga directora da Casa Fernando Pessoa Inês Pedrosa, acusada recentemente pelo Ministério Público do crime de abuso de poder, tem vindo a ser vítima de perseguição.

O filósofo Eduardo Lourenço, o ex-secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas e o cantor Sérgio Godinho são três das figuras que assinam esta manifestação de solidariedade em relação à arguida – que entre 2012 e 2013 fez a Casa Fernando Pessoa adjudicar serviços artísticos à empresa do então namorado, cujo escritório funcionava na casa onde moravam, no valor de mais de 9500 euros.

“Passados quase três anos após a sua demissão, e depois de lhe ter sido instaurado um processo, a escritora Inês Pedrosa tem sofrido reiteradas incompreensões, perseguições e indiferenças, tendo sido prejudicada na sua imagem e na sua honra, no seu trabalho e meios de subsistência, uma vez que as notícias que surgem a seu respeito na comunicação social empolam de forma absurda um insignificante episódio burocrático, transformando-o num aparatoso caso de abuso de poder”, pode ler-se na carta aberta, também subscrita por Alice Vieira, Jacinto Lucas Pires, Lídia Jorge, Mário Cláudio e Valter Hugo Mãe, entre outros escritores. [Leia aqui a carta na íntegra]

Todos elogiam o desempenho de Inês Pedrosa nos seis anos que esteve à frente da Casa Fernando Pessoa. Dizem que a actividade desenvolvida pela instituição “foi não só contínua como intensa, revelando elevado grau de criatividade, abrangência e capacidade  de inovação”.

“Internacionalmente, o espaço acentuou a sua imagem mítica, e o dinamismo que lhe foi imprimido está atestado nos testemunhos emocionados de quantos ficaram a conhecer a forma como cessou a colaboração de Inês Pedrosa com a instituição que dirigiu”, descrevem os signatários, para quem o processo judicial em causa, que “reiteradamente desencadeia rumores e surtos de sensacionalismo a partir de nada”, tem criado em torno de Inês Pedrosa “uma aura inaceitável de suspeição, desgastando de forma grave a sua vida intelectual e emocional”.

“Aliás, neste processo, conseguimos vislumbrar de forma clara alguns dos contornos da democracia imperfeita em que vivemos”, prossegue o grupo de intelectuais, que conclui a carta de apoio dizendo confiar "na honradez e na integridade” da escritora.