Contrato “definitivo” assinado. Exploração mineira em Moncorvo daqui a 18 meses

Segundo a MTI, numa primeira etapa espera-se a criação de mais de 200 postos de trabalho directos e 800 indirectos.

As minas de Torre de Moncorvo em 2011
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As minas de Torre de Moncorvo em 2011 ADRIANO MIRANDA

O contrato "definitivo" que vai permitir a exploração mineira no concelho de Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, foi assinado nesta quarta-feira no Ministério da Economia, revelou à Lusa o presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Nuno Gon��alves. O contrato vai permitir que num prazo de 18 meses seja iniciada a exploração.

"Esta é uma boa notícia para o concelho de Torre de Moncorvo, para o distrito de Bragança e para o país. Como sempre disse, este é um desígnio nacional, já que vai ajudar à empregabilidade no território onde há falta de empregos", frisou.

No início de 2016, os responsáveis pela MTI — Ferro de Moncorvo, SA avançaram que a empresa concessionária da exploração mineira em Torre de Moncorvo esperava investir 114 milhões de euros até 2026 e produzir cerca de seis milhões de toneladas de minério nos primeiros cinco anos de laboração.

O presidente do conselho de administração da empresa, António Frazão, referia que os custos de capital a investir está escalonado ao longo da vida do empreendimento, com uma previsão de investimento de cerca de 38,5 milhões de euros para iniciar a produção.

Segundo o responsável, nos primeiros cinco anos de exploração a empresa estima que a produção de "minério tal qual" (produzido na mina) evolua das 800 mil toneladas do primeiro ano para 1,6 milhões de toneladas no quinto. "No final destes cinco anos, o total de minério produzido deverá totalizar seis milhões de toneladas, a que a MTI faz corresponder uma percentagem de recuperação em massa de ferro de 90%, resultante do processo de beneficiação do minério, o que se traduzirá numa produção de concentrados de 5,4 milhões de toneladas", adiantou.

Sobre o impacto da exploração de minério de ferro no Produto Interno Bruto, a MTI aponta que o valor anual da produção de concentrados a partir do oitavo ano de produção representará 0,2% do valor total das exportações nacionais e 0,07% do PIB.

"A este relevo económico acresce o efeito multiplicador na economia nacional, regional e local. A receita bruta prevista a partir do oitavo ano (velocidade de cruzeiro) será de 143 milhões de euros/ano, correspondendo 5,72 milhões de euros/ano a receitas para o Estado", contabilizou.

No que respeita à possibilidade de o minério de ferro ser convertido no território das minas, o patrão da MTI — Ferro de Moncorvo avançava que a transformação do minério em concentrado de ferro (processo de beneficiação) será feita na lavaria, situada junto à área de exploração, e que toda a produção se destina a exportação para as siderurgias europeias.

A via navegável do Douro será sempre uma opção "importante" para o transporte do minério de ferro. Após o abandono do projecto e construção de um mineroduto, prevê-se que na fase inicial do projeto o escoamento da produção seja feito por via ferroviária e rodoviária, dados os actuais condicionalismo da via navegável.

A dimensão futura do empreendimento, do investimento e a complexidade tecnológica do seu funcionamento "recomendam" que a futura entrada em funcionamento da exploração mineira decorra no âmbito de um consórcio internacional

A exploração mineira em causa abrange uma área de cerca 4,624 hectares localizados na União de Freguesias de Felgar e Souto da Velha, Felgueiras e Maçores, e nas freguesias de Mós, Carviçais, Larinho, Torre de Moncorvo e Açoreira.

Em 2008, a MTI — Ferro de Moncorvo formalizou um contrato de prospecção e pesquisa com o Estado que termina no final de 2016. Numa primeira etapa, a empresa prevê a criação de mais de 200 postos de trabalho directos, a que acrescerão mais de 250 postos de trabalho nas etapas seguintes. Estima-se ainda a criação de 800 postos de trabalho indirectos.