Convento de São Paulo reabilitado após 50 anos de “abandono violento”

Associação de Municípios da Região de Setúbal, proprietária da Quinta de S. Paulo, onde se localizam também as ruínas do Convento dos Capuchos, assinou contrato para obras que vão permitir usufruto do monumento do século XIV

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AMRS

O Convento de São Paulo, monumento de 1383, construído numa das encostas da Serra da Arrábida, e que se encontra encerrado há 50 anos, vai voltar a poder receber visitas no próximo ano após obras de reabilitação anunciadas nesta segunda-feira e que vão arrancar este mês.   

A Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), proprietária da Quinta de S. Paulo, onde se encontra o convento com o mesmo nome, adjudicou nesta segunda-feira o contrato de reabilitação, à Signinum, Gestão de Património Cultural, uma empresa especializada que fez, entre outros, os recentes trabalhos de recuperação da Torre dos Clérigos, no Porto, e do Museu dos Coches, em Lisboa.

A obra, no valor de 400 mil euros, tem um prazo de execução de seis meses, pelo que o presidente da AMRS, Rui Garcia, estima que o monumento possa estar pronto a receber visitas antes do “final do primeiro semestre” de 2017.

O acordo prevê a reabilitação de grande parte do Convento de São Paulo, designadamente do claustro, da nave da igreja e do antigo refeitório e respectiva cozinha, espaços que a AMRS pretende vir a utilizar para eventos culturais “promovidos por entidades públicas”, como os nove municípios que integram a associação e para visitas programadas.

Segundo a secretária-geral da AMRS, Fátima Mourinho, não está prevista a abertura ao público do convento, em permanência, nem qualquer utilização turística do espaço. A associação rejeita qualquer hipótese de “mercantilização” deste património, vincou Rui Garcia.

Além da recuperação do monumento, formalmente designado Antigo Convento de Nossa Senhora da Consolação de Frades da Ordem de São Paulo, de Alferrara, a AMRS assinou, com a mesma empresa, um segundo contrato para a reabilitação, também, da Casa da Nora, um edifício anexo ao convento.

As obras agora contratadas correspondem à terceira fase da reabilitação do Convento de S. Paulo, sendo que a quarta e última fase, que concluirá definitivamente a recuperação de todos os espaços do monumento não está ainda prevista.

Na Quinta de São Paulo existe um segundo convento - Convento de Nossa Senhora da Conceição dos Frades Franciscanos Capuchos de Alferrara – conhecido como Convento dos Capuchos, construído em 1578 e reconstruido em finais do século XVII, mas que se encontra num estado de degradação muito mais avançado, praticamente em ruínas.

Depois de ter adquirido a propriedade da quinta a AMRS iniciou, há cerca de cinco anos, a recuperação dos dois monumentos, tendo investido já cerca de 600 mil euros, essencialmente na consolidação de estruturas e principalmente no Convento de S. Paulo.

Rui Garcia explicou que o Convento dos Capuchos "apresenta um processo de deterioração mais acentuado do que o Convento de São Paulo e já não reúne condições para o mesmo tipo de intervenção", que, na prática, exigiria uma reconstrução de todo o edifício.

O arquitecto responsável pela intervenção contratualizada pela ASMRS, Vítor Mestre, confirmou a impossibilidade de se realizar o mesmo tipo de intervenção nos dois conventos.

"São dois edifícios com um estado de degradação distinto. Quando a AMRS adquiriu a quinta, o Convento de São Paulo, apesar de tudo, ainda tinha alguma coerência física. O Convento dos Capuchos tinha várias derrocadas e um processo de degradação acentuado", disse.

"Se a AMRS não tivesse tido a atitude de conter, com a instalação de uma cobertura provisória e algum escoramento, o processo de degradação do Convento de São Paulo, ele tinha caído também", acrescentou o arquitecto, acrescentando que o monumento esteve sujeito a um “abandono muito violento” nos últimos 50 anos”.

O financiamento das obras será integralmente assegurado por verbas da AMRS, dado que, segundo o presidente da associação, "não há nenhum programa comunitário para este tipo de intervenção".