Portugal entre os nove países com taxa de pobreza mais alta

Eurostat divulga dados comparativos a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

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Se ao risco de pobreza se somar o risco de exclusão social, a população portuguesa afectada situa-se nos 26,6% Manuel Roberto

Quase um em cada cinco portugueses estava, em 2014, em risco de pobreza (19,5%). De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira pelo gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE) - o Eurostat, a Roménia é o país onde maior número de pessoas está em risco de pobreza (25,4%), seguindo-se a Letónia (22,5%), a Lituânia (22,2%), a Espanha (22,1%), a Bulgária (22%), a Estónia (21,6%), a Grécia (21,4%), a Itália (19,9%) e, por fim, Portugal (19,5%). A média da UE é de 17,3%.

Os dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento das famílias feito em Portugal em 2015 já eram conhecidos — e retratam a situação monetária das famílias em 2014. Nesta segunda-feira, a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, o Eurostat divulga e compara a situação dos diferentes países da UE. A percentagem da população em risco de pobreza mostra o peso das famílias que em cada país vive com rendimentos abaixo do que está definido como sendo o limiar de pobreza (422 euros mensais, em Portugal).

Se ao risco de pobreza se somar o risco de exclusão social, a população portuguesa afectada situa-se nos 26,6% — um pouco acima dos 23,7% da média observada para a UE. O Eurostat nota, a propósito desta média europeia, que depois de vários anos a subir, ela iguala a média de 23,7% registada em 2008. A Bulgária é o país onde mais pessoas estão em “risco de pobreza ou exclusão social”: 41,3% da população.

Este indicador — “população em risco de pobreza ou exclusão social” — descreve quem está em pelo menos uma das seguintes situações: tem rendimentos abaixo do limiar de pobreza; vive uma situação de “privação material severa” (não tem acesso a pelo menos quatro de uma lista de nove itens, como capacidade para pagar atempadamente as despesas ou financiar uma refeição de carne ou de peixe pelo menos de dois em dois dias); e/ou integra uma família com uma intensidade laboral muito baixa (os seus elementos trabalham menos de 20% do tempo possível).

Em Portugal 9,6% da população vive uma situação de “privação material severa”, contra 9,7% em 2008. A média da UE é 8,1%. E 10,9% da população vive em agregados familiares com uma intensidade laboral muito baixa. A média da UE é 10,5%.