Mais 80 casas disponíveis para os sem-abrigo de Lisboa

O programa Casas Primeiro vai permitir tirar das ruas mais 80 sem-abrigo e fornecer-lhes casa e acompanhamento para permitir a sua reintegração na sociedade.

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tiago machado

Maria Júlio e Eurico conheceram-se nas ruas de Lisboa, onde viveram 14 anos. Maria ficou sem casa devido a problemas familiares e Eurico, natural de Cabo Verde, nunca chegou a ter uma em Portugal. Porém, há 6 anos, o programa Casas Primeiro deu-lhes uma habitação, onde vivem até hoje “como marido e mulher, como pessoas iguais às outras”. O casal integra um grupo de 30 pessoas abrangidas pelo programa Casas Primeiro que será alargado a mais 80 habitações, segundo um protocolo assinado esta quarta-feira entre a Câmara de Lisboa e várias instituições de apoio social.

Destas 80 casas, 50 estarão sob a alçada da Associação Para o Estudo e Integração Psicossocial, que se foca nos casos de doenças do foro mental e psicológico, e as restantes 30 serão acompanhadas pela Associação Crescer Maior, que se concentra nos casos de dependência de substâncias e outros factores de degradação pessoal. Porque não basta tirar os sem-abrigo da rua e dar-lhes uma casa. É preciso também lutar contra as circunstâncias que os lançou para o relento.

Embora mantenham os problemas de saúde mental que os levaram à condição de sem-abrigo, Maria Júlio e Eurico têm recebido ajuda constante: “Todas as semanas mandam alguém lá a casa ver se está tudo em ordem, se nos temos alimentado bem, se precisamos de algum medicamento novo ou roupa”. Ainda assim, não têm perspectivas de futuro: “Não podemos trabalhar porque somos doentes, por isso a nossa vida é fazermos a comida, lavarmos a roupa e passearmos um bocadinho pela cidade quando temos tempo livre”.

Além deste acordo, ficou ainda formalizada uma nova resposta de inserção nas Olaias, a Unidade Integrativa de São Paulo, para ajudar mais 20 pessoas em situação de carência mais grave.

“Estas são decisões que não se podem esbater com mudanças políticas”, explicou João Afonso, vereador dos Direitos Sociais da câmara de Lisboa. “Esta estratégia é da cidade, não é só do município, é das pessoas, para as pessoas, e é para durar”.

E os resultados estão à vista. Maria Júlio até fez as pazes com a família. “O tempo curou tudo, agora somos felizes e a minha mãe está muito contente por eu ter conseguido uma casa e me ter integrado na sociedade como dantes”.

Texto editado por Ana Fernandes