As experiências de dois portugueses no IRONMAN

Pedro Gomes e Sérgio Marques são dois dos atletas portugueses que já completaram provas IRONMAN na distância completa. Ao PÚBLICO descreveram o sentimento de superar um dos desafios mais difíceis do mundo

Pedro Gomes, em acção
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Pedro Gomes, em acção DR

Há pouco mais de dois anos, Pedro Gomes mudou-se para Scottsdale, no Arizona, com um objectivo claro em mente: competir no circuito IRONMAN enquanto triatleta profissional. No currículo levava uma vitória no IRONMAN Suécia, obtida em 2013 com um tempo de 8h19m30s. E desde então tem somado quilómetros em provas um pouco por todo o lado. Em Julho, por exemplo, foi segundo classificado no IRONMAN Canadá.

“Estamos a colocar Portugal no mapa deste desporto que se encontra em grande expansão mundial”, congratulou-se a propósito da entrada de Cascais no circuito. “Esta prova irá trazer a Portugal alguns dos melhores atletas na distância IRONMAN e Half IRONMAN. Comparando com outros desportos, é como trazer para solo nacional uma prova de Fórmula 1/MotoGP ou um Grand Slam de ténis”, acrescentou Pedro Gomes, numa troca de e-mails com o PÚBLICO. “É uma montra para o nosso país, e em particular para Cascais. Para mim de certa forma sabe a pouco, já que a minha paixão é mesmo a distância completa com a qual o termo IRONMAN nasceu. Mas tem que se começar por algum lado e estou muito contente por finalmente a modalidade estar a dar estes passos importantes”, corroborou Sérgio Marques, outro triatleta português com larga experiência no circuito.

Embora o IRONMAN 70.3 Cascais, em 3 de Setembro de 2017, ainda esteja longe no calendário, os dois portugueses não descartam a possibilidade de participar. “A questão tem resposta bem simples, só se acontecer algo é que não irei estar presente. Mesmo que não seja o meu objectivo, já que o meu foco foi sempre a distancia IRONMAN”, disse Sérgio Marques. “O meu objectivo é alcançar um grande resultado na prova mais importante do circuito, o Campeonato do Mundo de IRONMAN que se realiza todos os anos no Havai no princípio de Outubro. A data de Cascais pode até enquadrar-se no planeamento da minha época. Sendo português, claro que gostaria de poder correr em Cascais, numa zona que fez parte do meu itinerário em tantos treinos de bicicleta e corrida”, confessou Pedro Gomes.

O primeiro IRONMAN foi uma experiência inesquecível para ambos os atletas. “Lembro-me da sensação de medo e incerteza. Era a minha primeira prova num grande palco, com adversários muito reputados e com anos de experiência”, recordou Pedro Gomes a propósito da sua “estreia”, no IRONMAN Flórida, em 2010. “Curiosamente foi uma prova que fiz sem grande pressão e objectivo para além de terminar, pois foi o culminar de uma época que me tinha corrido muito bem. Tinha ganhado várias provas de média distância em Espanha e estava muito satisfeito com o que tinha alcançado até então. Talvez por isso, foi também uma prova que me correu muito bem. Liderei a prova até sensivelmente a milha 18/19 (portanto, cerca dos 28km), antes de a adrenalina se esgotar e acabar por ser passado e relegado para segundo. Ainda assim, foi muito positivo para primeira experiência IRONMAN”, recordou o português radicado nos EUA.

“A minha estreia na distância completa foi em 2003, na Flórida. Continua a ser um dos momentos inesquecíveis da minha carreira, não só pelo medo/dúvida antes do início da prova, após tantos meses de preparação, como a felicidade de acabar a prova de forma perfeita na altura. É um desafio tremendo para qualquer um e ainda hoje, após mais de 45 IRONMAN completos nas pernas, continuo a respeitar a distância. E continuo a respeitar o medo e a dúvida que surgem antes de qualquer prova”, descreveu Sérgio Marques.

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