Forças afegãs recuperam controlo de Kunduz aos taliban

Governo de Cabul está debaixo de críticas pela forma como os rebeldes conseguiram facilmente conquistar a cidade, pela segunda vez, no espaço de um ano.

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Os soldados afegãos mantêm a vigilância nas ruas de Kunduz Reuters/NASIR WAKIF

Um dia depois de os taliban terem conseguido penetrar em Kunduz, as forças afegãs recuperaram o controlo da cidade, com o apoio das tropas norte-americanas. O ataque taliban, na segunda-feira, apanhou as forças governamentais completamente desprevenidas, escreve a Reuters, lembrando que a ofensiva ocorreu precisamente um ano depois de a cidade ter caído sob o domínio rebelde durante um curto período de tempo.

A facilidade com que os rebeldes conseguiram voltar a entrar pela cidade dentro e colocar a sua bandeira no centro de Kunduz tem valido críticas ao Governo afegão. Isto num momento em que o executivo liderado Ashraf Ghani se prepara para pedir milhares de milhões de dólares aos doadores internacionais reunidos em Bruxelas.

A AFP escreve que Kunduz continua a ser uma cidade traumatizada nesta terça-feira, com lojas fechadas, ruas desertas, helicópteros no céu e famílias inteiras a tentarem partir para Cabul. O ataque a esta cidade de cerca de 260 mil habitantes, assim como outras ofensivas bem sucedidas nas áreas de Helmand e Uruzgan, onde os taliban também ameaçaram as capitais de província, parece demonstrar que o grupo extremista têm vindo a conseguir ganhar força e influência.

As críticas às forças de segurança afegãs subiram de tom depois de alguns militares norte-americanos terem reportado que quase não viram reacção à entrada dos taliban em Kunduz e de muitas testemunhas terem assegurado que houve polícias que abandonaram os seus postos sem disparar um único tiro, relata a Reuters.

Ainda assim, na segunda-feira, em Washington, o porta-voz do Pentágono, Jeff Davis, desvalorizou o impacto do ataque taliban. Davis disse aos jornalistas que o ataque rebelde tinha sido mais “uma espécie de tiroteio de um filme western” do que propriamente uma ofensiva militar planeada.

Pela sua parte, o porta-voz do ministro da Defesa afegão, Dawlat Waziri, assegurou que nenhum posto de controlo tinha sido abandonado. Ainda assim, as autoridades afegãs continuam a investigar como foi possível que os rebeldes tenham, mais uma vez, conseguido penetrar as defesas da cidade, depois de meses de operações militares destinadas a prevenir uma situação como a do ano passado, disse aos repórteres, em Cabul, fonte oficial do Ministério do Interior. A mesma fonte assegurou que o Governo de Ghani continua focado em recuperar por completo o controlo da cidade, com o apoio das tropas norte-americanas.

Segundo o chefe de polícia de Kunduz, Qasim Jangalbagh, apesar de os rebeldes continuarem a ocupar algumas zonas de Kunduz, as tropas governamentais têm estado a fazer progressos. “Recebemos reforços e agora temos apoio aéreo”, disse Jangalbagh.

Qasim Jangalbagh adiantou ainda que “a operação de limpeza” estava a prosseguir nesta terça-feira para capturar os últimos taliban que ainda estavam barricados em edifícios do centro da cidade. O governador da cidade, Assadullah Omarkhil, acusou os taliban de terem usado as casas dos civis para se esconder, o que fez com que a operação de resgate fosse mais lenta. Segundo a Reuters há várias contas de redes sociais ligadas aos rebeldes que garantem que estes ainda dominam algumas partes da cidade e que que os combates persistem.

Citado pela AFP, o general norte-americano Charles Clevand assegurou que as forças afegãs controlam o centro da cidade, mas que as tropas norte-americanas “mantêm uma sólida assistência na região para garantir o apoio necessário”.

As contas oficiais apontavam para a morte de pelo menos 25 rebeldes e para outros cinco soldados afegãos mortos, além de uma dúzia de feridos entre as forças governamentais. Já o hospital de Kunduz dá nota de ter recebido na segunda-feira 43 civis feridos e um morto devido a tiros de morteiro.