PEV distribui tubos de areia nas praias de Carcavelos e Caxias

O partido ecologista Os Verdes quer alertar os moradores de que ainda é possível lutar contra as construções previstas e até mesmo as que já decorrem na orla costeira de Oeiras e Cascais.

Acção organizada pelo PEV decorre durante a manhã desta quinta-feira
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Acção organizada pelo PEV decorre durante a manhã desta quinta-feira DR

Esta quinta-feira, o partido ecologista "Os Verdes" (PEV) irá distribuir pequenos tubos com areia à população de Caxias e Carcavelos, em Oeiras e Cascais. A acção, que irá decorrer durante toda a manhã, pretende funcionar como um alerta para os perigos das construções imobiliárias planeadas pelas autarquias. De acordo com o partido, as intervenções colocam em risco as zonas para onde estão previstos os projectos. “Distribuímos o tubo de ensaio para alertar as pessoas que, caso não lutem, daqui a algum tempo só restará a areia que está no tubo”, explica Paula Costa, d'"Os Verdes" de Cascais, em declarações ao PÚBLICO.

Em causa estão projectos como o Porto Cruz, da empresa Silcoge, do grupo imobiliário SIL, que abrange uma área de 27,6 hectares e prevê a construção de oito edifícios, cinco outras torres e três de habitação, comércio e serviços na margem direita do rio Jamor, na Cruz Quebrada, concelho de Oeiras. O projecto avaliado em 50 milhões de euros está a ser objecto de fortes críticas dos moradores que criaram a associação Vamos Salvar o Jamor. A proposta foi aprovada pela câmara com os votos a favor do PSD, PS e IOMAF (Isaltino Oeiras Mais à Frente) e os votos contra da CDU.

Na lista de críticas soma-se ainda polémico Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos-Sul (PPERUCS), que prevê uma mega-urbanização para a Quinta dos Ingleses, bem como a construção, em Carcavelos, do edifício da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade Nova de Lisboa, actualmente situado em Campolide.

Também a criação de um troço de passeio marítimo, entre a Baía dos Golfinhos e a Praia da Cruz Quebrada não escapa às críticas. Neste caso, as obras procedem mesmo tendo sido suspensas pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra depois de ter sido colocada uma providência cautelar para travar os trabalhos. À data, Paulo Vistas, presidente da Câmara de Oeiras, defendeu que não existia justificação para a paragem de uma obra que, garante, "cumpre todos os trâmites legais e técnicos exigidos".

Para o partido ecologista, “estes projectos urbanísticos colocam em risco a manutenção e a gestão do uso dos solos, os recursos aquíferos, a fauna, a flora, e um vasto património histórico, arquitectónico e paisagístico, que afectará directamente o ambiente e a qualidade de vida das populações, bem como o livre acesso aos espaços verdes, ao rio Tejo, ao rio Jamor e às praias”. Paula Costa destaca que esta construção coloca “maior pressão em áreas sensíveis” existentes na zona de costa, negligenciando as zonas do interior.

Os tubos de areia não irão ser distribuídos aleatoriamente, explica Paula Costa. “A ideia é que as pessoas falem connosco” e que "conheçam e tenham consciência” dos projectos que estão previstos e “das suas implicações”, uma missão que "Os Verdes" acreditam que as autarquias falharam em cumprir. “A população não pode deixar estes projectos e negociatas avançar”, sublinha Paula Costa.

Para o partido "Os Verdes", as intervenções estão a ser feitas sem respeito pelas implicações ambientais e urbanísticas avançando com uma  grave “construção de betão sobre o litoral”. “Os projectos não estão pensados e ameaçam a própria segurança dos moradores. O mais provável é que se repitam cenários como os que observámos durante as cheias de Albufeira no último Inverno com o aumento do risco de inundação”, antecipa.

Às 9h na praia de Caxias e às 11h na praia de Carcavelos, o PEV quer alertar “a população de que ainda estão a tempo de se manifestar e de reivindicar”.