Portugal nas "meias" de Europeus: A "besta negra" e a "laranja pouco mecânica"

Apenas por uma vez Portugal venceu nas meias-finais de um Europeu. O resto foram três derrotas.

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A selecção portuguesa no Euro 2004 AP/MICHAEL PROBST/AP

Portugal joga esta quarta-feira as meias-finais do Euro 2016, frente ao País de Gales. É a quinta vez que a equipa das "quinas" marca presença nessa fase da prova e só por uma vez chegou à final.

Euro 1984: Platini tramou Portugal a um minuto dos penáltis

Portugal passou a fase de grupos juntamente com a Espanha. Alemanha e Roménia foram eliminadas. Na altura, apenas oito equipas disputavam o Europeu, pelo que a selecção nacional passou de imediato às meias-finais, fase em que encontrou a anfitriã França. Os gauleses marcaram primeiro, por Jean-François Domergue (24 minutos) mas Jordão viria a empatar aos 74'.

A partida foi para prolongamento e aí Jordão fez sonhar os portugueses ao marcar aos 98 minutos. Se o avançado português bisou no jogo, Domergue não quis ficar atrás e empatou aos 114'. Quando tudo apontava para uma decisão nos penáltis, Michel Platini, o melhor jogador do Euro de 84, fez o 3-2.

Euro 2000: Outra vez a França e a mão de Abel Xavier

Em 2000, no Europeu da Bélgica e da Holanda, Portugal apurou-se juntamente com a Roménia, num grupo que incluía Inglaterra e Alemanha. Nos quartos-de-final venceu a Turquia por 2-0, marcando de novo encontro com a França numas meias-finais. Com um futebol que impressionou a Europa, a equipa das "quinas" acreditava que podia vencer os franceses e começou bem, com Nuno Gomes a marcar aos 19 minutos. No entanto, Thierry Henry empatou aos 51' e, mais uma vez, um Portugal-França iria para prolongamento.

No tempo extra, uma das decisões mais controversas de sempre em Europeus: Sylvain Wiltord cruzou já no interior da área e o árbitro Günter Benkö assinalou penálti por mão de Abel Xavier. Na altura estava em funcionamento a regra do “Golo de Ouro”, ou seja, quem marcasse no prolongamento seguia em frente. Zinedine Zidane assumiu a marcação da grande penalidade e apurou a França para a final. Estavam decorridos 117 minutos, pelo que Portugal voltou a "morrer na praia", frente ao mesmo adversário de 1984, uma autêntica "besta negra" para a selecção. O que se passou após a marcação do penálti foram cenas muitos feias dos jogadores portugueses em relação ao árbitro, que levaram mesmo a UEFA a suspender por vários meses Abel Xavier, Nuno Gomes e Paulo Bento.

Euro 2004: Enfim, uma final

O Euro 2004 foi disputado em Portugal e a selecção nacional, não tendo começado bem (derrota com a Grécia no jogo de abertura no Estádio do Dragão) partiu daí para, motivada pelo factor casa, fazer um grande Europeu. Portugal venceu Rússia e Espanha na fase de grupos e a Inglaterra  nos quartos-de-final (com o guarda-redes Ricardo a defender, sem luvas, um penálti de Darius Vassell e a apontar ele próprio a penalidade que colocou a equipas das quinas nas meias-finais).

Nas “meias”, no dia 30 de Junho de 2004, Portugal defrontava a Holanda no Estádio de Alvalade. E aquela que era, na teoria, uma verdadeira "laranja mecânica", com nomes como Van der Vaart, Seedorf, Cocu ou Davids no meio campo e Kluivert, Van Nistelrooy, Makaay, Van Hooijdonk ou Robben no ataque, vergou-se aos pés da selecção portuguesa. Cristiano Ronaldo inaugurou o marcador, de cabeça, aos 26 minutos, e Maniche marcou o segundo, aos 58, num “míssil” fora da área. O melhor que a Holanda conseguiu fazer foi reduzir, num autogolo de Jorge Andrade (63'). Portugal seguia para a final do Estádio da Luz, onde viria a perder com a Grécia.

Euro 2012: Também vocês “nuestros hermanos”?

A última vez que Portugal marcou presença nas meias-finais de um Europeu antes deste Euro 2016 foi há quatro anos, na Polónia/Ucrânia. Quanto ao percurso, qualificou-se em segundo do grupo, atrás da Alemanha e, nos "quartos", derrotou a República Checa por 1-0. Nas “meias”, Portugal só não defrontou outra vez a França, porque os franceses perderam com a Espanha nos quartos-de-final. Foi então uma meia-final ibérica que se realizou em Donetsk, na Ucrânia.

Muito equilíbrio de parte a parte, com ligeiro ascendente português nos 90 minutos. Ronaldo teve, aos 89 minutos, a possibilidade de dar a Portugal mais uma final, mas com a baliza de Casillas escancarada, atirou por cima. No prolongamento, o nulo não foi desfeito e tudo se decidiu nos penáltis. Pela equipa das quinas falharam João Moutinho e Bruno Alves. Pela Espanha apenas Xabi Alonso. Portugal voltava a cair nas “meias”.

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