“O estímulo à criatividade eleva o patamar”, sublinha Maria do Céu Albuquerque Raquel Moreira
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“O estímulo à criatividade eleva o patamar”, sublinha Maria do Céu Albuquerque Raquel Moreira

O Creative Camp fica mais seis anos em Abrantes, pelo menos

Abrantes não quer mais uma feira medieval ou mais um festival de Verão, diz a presidente da Câmara

Este é o quarto ano consecutivo que Abrantes recebe o festival de colaborações criativas 180 Creative Camp. “Quando nos fizeram esta proposta dissemos imediatamente que sim, com a condicionante de que teriam que por cá ficar durante, pelo menos, dez anos”, explicou Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Quatro anos depois da sua primeira intervenção na cidade, o Creative Camp promete voltar, pelo menos, mais seis anos. “Pelo menos”, reforça a presidente.

Estabilizar o projecto e familiarizá-lo com a comunidade, que, inicialmente, não se encontrava preparada para esta iniciativa, é o caminho para tornar Abrantes mais central — não só a nível geográfico. Para isso, a presidente acredita que as artes e a cultura são a melhor maneira. “O estímulo à criatividade eleva o patamar”, justifica. Por isso, só fazia sentido fazer algo único. Não era mais uma feira medieval, ou mais um festival de Verão, mas algo que pusesse Abrantes no mapa.

"Um desconforto que nos alimenta”

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A presidente da câmara de Abrantes não quer uma feira medieval ou mais um festival de Verão Raquel Moreira

O objectivo da fixação do Creative Camp em Abrantes é, em primeiro lugar, o trabalho local. Ao promover actividades com a comunidade como crianças, jovens, associações, potenciando, assim, o crescimento da comunidade. Em segundo lugar, os objectivos passam por uma projecção nacional e internacional da cidade. A avaliação desta iniciativa é, até ao momento, satisfatória. Maria do Céu explica que o evento atingiu "um patamar de desenvolvimento que agrada, mas que não conforta”. E não conforta porque a cidade quer chegar mais longe. “É um desconforto que nos alimenta”.

Para ajudar o Creative Camp a fundir-se com a comunidade, o evento tem sofrido alterações de ano para ano. De modo a melhorar o festival e a promover a interação com a comunidade, nesta edição, os sítios das intervenções artísticas estão mais centralizados.

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A presidente da câmara de Abrantes não quer uma feira medieval ou mais um festival de Verão Raquel Moreira

Uma das principais fachadas da cidade, a do mural em frente à Biblioteca Municipal António Botto, vai ser pintada, integralmente, em alusão aos 100 anos abrantinos, no contexto do Creative Camp. Este é o maior desafio, do ponto de vista da presidente, e o que melhor personifica os objectivos desta cooperação entre a Câmara Municipal e o festival, promovendo a associação com a história local e consolidando a identidade da cidade.

Essa mesma identidade vai ser consolidada através da iniciativa “Cidade florida”, nome pelo qual Abrantes é conhecida, devido aos jardins de outrora, que consiste na pintura de fachadas da cidade com motivos florais.

O que fica?

Depois da semana de intervenção artística pela cidade, o Creative Camp continua a viver. O Canal 180, principal organizador do evento, prepara um conjunto de iniciativas ao longo do ano para que, nem Abrantes nem o 180 Creative Camp fiquem esquecidos.

Além disso, fica também em Abrantes o retorno do investimento da Câmara Municipal, no valor de 75 mil euros por ano. O retorno, informa a presidente, é à volta do dobro do valor do investimento inicial – cerca de 150 mil euros. Os resultados demoram mais tempo a chegar do que se fosse outro tipo de iniciativa, como um festival de música, por exemplo. Mas "é mais sustentável", conclui Maria do Céu Albuquerque.