Investimento de 18 milhões de euros em hotel vínícola em Vila Nova de Gaia

Novo hotel de cinco estrelas na Quinta da Boeira vai criar cem postos de trabalho dentro de dois anos. A mesma quinta que está promover pelo mundo o seu vinho do Porto com réplicas de embarcações da época dos Descobrimentos.

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Quinta da Boeira

O centro histórico de Vila Nova de Gaia vai ter, em 2018, uma nova unidade hoteleira de cinco estrelas, o Oporto Boeira Garden Hotel, num investimento de 18 milhões de euros da Quinta da Boeira que vai criar 100 novos postos de trabalho. O investimento foi divulgado nesta terça-feira, em Madrid, por Carlos Pinto Ribeiro, um dos administradores desta sociedade vinícola, à margem da inauguração de uma exposição de réplicas de embarcações da época dos descobrimentos para promoção do vinho do Porto.

As obras do hotel, com 119 quartos e cinco suites, arrancam em Setembro deste ano depois de o projecto, do arquitecto Miguel Miranda, ter sido recentemente aprovado pelo Instituto de Turismo de Portugal.

“Não conheço nenhum hotel no Norte de Portugal, mais propriamente no Grande Porto, onde o hóspede abra a porta e esteja dentro de um jardim com árvores centenárias e que ocupam cerca de três hectares”, garante Carlos Pinto Ribeiro.

Nesta nova unidade, com obras comparticipadas em 60% por fundos comunitários, os hóspedes vão ainda contactar com a produção vinícola, além de diversas formas de arte e cultura. Será lançado um concurso nacional de pintura para a decoração do interior do hotel.

A construção desta unidade hoteleira em nove dos 27 mil metros quadrados da Quinta da Boeira, que existe desde 1850, é a última de cinco fases do projecto de reabilitação deste espaço, num investimento total de 38 milhões de euros. Quando os administradores adquiriram o espaço, em 1999, decidiram transformá-lo “numa sala de visitas de Vila Nova de Gaia em vez de um condomínio fechado”, como era prática na época. Começaram pela reabilitação e transformação das cavalariças e estufas em salão polivalente e auditório. Seguiu-se a recuperação de um palacete “que se encontrava em avançado estado de deterioração e onde já chovia no interior”, segundo Carlos Pinto Ribeiro. Veio depois a construção da maior garrafa do mundo, com 32 metros de diâmetro, com salas de provas de vinho para promover a cultura, gastronomia e produtos locais.

Nesta terça-feira, a sociedade Quinta da Boeira - Arte e Cultura inaugurou a mostra de 14 de um total de 23 réplicas de embarcações históricas da época dos Descobrimentos avaliadas em um milhão de euros e criadas pelo antigo pescador e artesão Albino Costa. Entre elas constam várias galés, uma nau da armada da Índia, outra nau da armada do Oriente, um galeão da armada do Brasil - a preferida do artesão -, todas elas do século XVI. Em exposição estão ainda a fragata Rainha de Portugal, do século XIX. À semelhança do que sucedeu com as embarcações reais que percorreram mundo na época dos Descobrimentos, transportando vários produtos, também estas réplicas vão estar expostas em diversos países e assim promover o vinho do Porto da Quinta da Boeira. Em Setembro segue-se a Dinamarca, em Outubro será a vez de Vigo, em Espanha, em 2017 o Brasil e antes de 2019 a China, adiantou Albino Jorge, outro dos administradores. “Nesta cerimónia houve uma aliança das embarcações com uma prova de excelência dos 200 anos do vinho do Porto: 10, 20,30 e 40 anos e ainda Very Old Tawny (cem anos)”, explicou.

A acção, com o apoio da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal, contou com a presença de 300 convidados, nomeadamente o embaixador de Portugal em Madrid, Francisco Ribeiro de Meneses, que elogiou “o espírito empreendedor” dos responsáveis. E que assim se associam às comemorações dos 500 anos da primeira viagem de circum-navegação, em 1519, do navegador Fernão Magalhães. 

A jornalista viajou a convite da Quinta da Boeira     

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