Há um novo museu de Siza Vieira com obras de Cargaleiro no Seixal

A Oficina de Artes Manuel Cargaleiro junta o trabalho do mestre e do arquitecto Siza Vieira, mas também quer motivar a criação de novos artistas. A exposição "A Essência da Forma" foi inaugurada nesta sexta-feira.

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“Não é um museu, é uma oficina.” É assim que o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Joaquim Santos, define a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro inaugurada na tarde desta sexta-feora, com a abertura da exposição "A essência da Forma", no Seixal. Amanhã (18 de Junho) é dia de se apresentar o edifício ao público, onde a entrada, para já, é gratuita. “Basta aparecer e apreciar”, salienta o presidente.

Joaquim Santos não tem dúvidas: “Não há mais nenhum lugar do mundo com estas duas figuras históricas no mesmo espaço”. São elas Manuel Cargaleiro e Álvaro Siza Vieira. A primeira pedra foi lançada em 2011, mas a obra apenas ficou finalizada em 2014. Com projecto arquitectónico e mobiliário da autoria do arquitecto, o edifício é descrito com tendo uma “arquitectura inovadora”, pois tem uma articulação dos espaços expositivos em "s", que permite a subdivisão por painéis desmontáveis. Além disso, tenta conjugar vários elementos arquitectónicos com os espaços envolventes. 

O espaço é o da Quinta da Fidalga, na zona ribeirinha de Arrentela, que integra áreas arborizadas com áreas residenciais. No século XX, o palacete da quinta recebeu intervenções do arquitecto Raul Lino e aí são distribuídos, por vários pontos da propriedade e paredes dos edifícios, azulejos. Em 2000, a quinta é adquirida pela Câmara Municipal do Seixal e este ano tem oficialmente um novo edifício, a Oficina de Artes. “O arquitecto tentou marcar a diferença do passado com uma visão de futuro”, classifica o presidente Joaquim Santos. 

Com a abertura do espaço ao público, há também a inauguração de uma exposição: "A essência da forma". Aqui Manuel Cargaleiro e Álvaro Siza Vieira voltam a encontrar-se. O objectivo da exposição é direccionar a cerâmica para a arquitectura, com reprodução de painéis de azulejo de oito obras emblemáticas do mestre Cargaleiro, como a fachada do Instituto Franco-Português de Lisboa, ou a estação do metro de Champs Elysées-Clémenceau, de Paris, e azulejos de Siza Vieira. “Esta exposição tem uma faceta que não conhecíamos de Siza Vieira, que fazia azulejos nos tempos livres”, revelou Joaquim Santos.

Além desta primeira exposição, a oficina pretende ser “uma tela em branco, onde artistas contemporâneos possam expor”, informa o autarca, acrescentando que também há a missão de motivar novos autores na construção de edíficios, tendo a inspiração de Cargaleiro e Siza Vieira. 

Outro objectivo é trazer a memória do azulejo às novas gerações, continua o presidente da Câmara. Através de ateliers para crianças, exposições temporárias ou ensino experimental, um dos objectivos é criar "uma linha de afirmação da tradição azulejar portuguesa”. Joaquim Santos revela que “para já há uma ideia e as áreas emblemáticas da quinta que já estão identificadas para as oficinas".

Joaquim Santos destaca que este é apenas um “primeiro passo” e o objectivo é colocar o espaço no mapa da cultura regional e nacional.

Texto editado por Bárbara Wong

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