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Câmara de Matosinhos deixa de usar herbicida glifosato

Gondomar, o município do país que mais usa substância potencialmente cancerígena, não “entra em radicalismos de proibição”, mas tendência é reduzir

Ver a relva crescer vai ser pago com 2000 euros
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Ver a relva crescer vai ser pago com 2000 euros Enric Vives-Rubio

A Câmara de Matosinhos vai deixar de usar o herbicida glifosato na limpeza do município. A proposta do presidente, Guilherme Pinto, foi votada por unanimidade pelo executivo camarário, no início desta semana, em reunião privada da Câmara.

Matosinhos segue o exemplo do Porto, que deixou de usar o pesticida em Março de 2015, altura em que a Organização Mundial de Saúde o considerou potencialmente cancerígeno.

O inquérito realizado pelo Bloco de Esquerda, tornado público esta semana, que dava conta de que um terço dos municípios portugueses usam a substância, colocava Matosinhos como a segunda autarquia que mais usou o pesticida – 2800 litros num ano. Apesar de ainda haver discussão sobre o potencial cancerígeno do glifosato, Guilherme Pinto diz, em comunicado oficial na página da Câmara Municipal de Matosinhos, que “não faz sentido utilizar algo que parece tão susceptível” e por isso “até se confirmar ou desmentir essa implicação para a saúde pública, é melhor acabar com a sua utilização".

O pesticida foi usado em Matosinhos, sobretudo, para limpeza da via pública. Fica por decidir qual será o produto que irá substituir o anterior, embora o gabinete de comunicação da Câmara garanta que “será um produto de origem orgânica que cumpra as normas exigidas”. É certo é que “desde terça-feira que o glifosato não se usa mais” em Matosinhos.

Gondomar não vai deixar de usar pesticida
Por outro lado, a Câmara de Gondomar, município que, de acordo com o inquérito, mais usa o herbicida —  4000 litros num ano — vai continuar a usar o produto. O gabinete de comunicação da autarquia, contactado pelo PÚBLICO, dá conta de que “não há qualquer intenção de proibir o uso do glifosato”. A Câmara diz preferir não seguir “medidas radicais”. No entanto, “face ao alarme público que foi criado”, entende ser uma questão de “bom senso” reduzir a sua utilização. Sublinha ainda que os dados que vieram a público são relativos a 2014. Em 2015 os números descerem para 2500 e no corrente ano estimam usar cerca de 1500 litros, no sentido de seguir “uma tendência que acabará por chegar aos zero litros”.

O gabinete de comunicação salvaguarda que não é a Câmara que utiliza directamente o produto, “mas sim a empresa que trata da limpeza urbana do município” e garante que a substância não é usada em nenhum jardim público: “O glisofato é apenas usado nas bermas das estradas para eliminar as ervas daninhas”.

Num estudo realizado em Março de 2015, a Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro concluiu que o glifosato — lançado comercialmente nos anos 1970 sob a marca Roundup — é um “carcinogénico provável para o ser humano”. Na mesma altura, o braço de pesquisa oncológica da Organização Mundial de Saúde atribuiu à substância o segundo grau mais grave de risco cancerígeno. A 18 de Maio o Comité de Peritos da União Europeia reunir-se-á para analisar e decidir sobre a utilização futura do glifosato a nível europeu.

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