Cartas à Directora

E agora Europa?

Em novembro deitámo-nos em sobressalto e assim voltamos a acordar. Em pouco mais de um ano foi tempo de estar duas vezes com Paris e nesta altura o nosso pensamento está mobilizado para Bruxelas, sempre será assim! Porque a nossa imunidade foi posta à prova e fracassou, porque somos europeus unidos pela revolta, pela incapacidade e pela certeza que o medo não vencerá. Da tempestade restam raízes mais fortes que se exprimem de novo com as bandeiras a meia haste numa tentativa de chamar a paz, aquela porque tanto esperamos e pela qual lutam os milhares que todos os dias atravessam o mediterrâneo. Este sofrimento e esta tristeza que nos amedronta hoje é a mesma que eles encaram todos os dias, e é a mesma que motiva a sua necessidade de proteção. Agora? Neste momento em que o mundo pede sossego, a união fará a força, o nosso pensamento estará com as vítimas, famílias e amigos, e todos estaremos dispostos a ajudar. Será o momento de parar de andar de cimeira em cimeira a tentar dar solução a este problema que acorda de quando em vez e leva dezenas com ele, apenas é importante não esquecer que jamais o terrorismo deverá ser respondido da mesma forma.

Ricardo Sequeira, aluno Nova SBE, Lisboa

 

Via-sacra do infortúnio colectivo

Todos os meses, após receber a minha reforma e a de minha mulher, as quais são depositadas na mesma conta bancária, este fiel e cumpridor casal faz o balancete mensal do deve e do haver, a fim de fazer face às imposições legais de sobrevivência, na tentativa de viver sem dever nada a ninguém e convicto de nunca gastar mais do que aufere.

E qual não foi a ‘bomba’ que esta manhã explodiu nas minhas mãos, quando abri o jornal diário que costumo ler? Ei-la: ‘Cada português deve afinal 37 850 euros’.

Olhei para a minha mulher e ela para mim olhou também, na tentativa de sabermos, cada um, quem estava a enganar quem.

Afinal, qual a razão do nosso endividamento, se todos os meses não gastamos mais do que ganhamos ou temos?

Quem nos anda a roubar décadas a fio?

José Amaral, V.N. Gaia

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