Empresa ligada ao narcotráfico envolvida em transferências para o FC Porto

Clube pagou serviços de intermediação ao Grupo Comercializador Cónclave em 2012 e 2013.

Jackson Martínez chegou ao FC Porto em 2012, proveniente do clube mexicano Jaguares de Chiapas
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Jackson Martínez chegou ao FC Porto em 2012, proveniente do clube mexicano Jaguares de Chiapas Miguel Riopa/AFP

Uma empresa liderada por Rodolfo David Dávila Córdova, ex-dirigente do Banco do México acusado pela Justiça de financiar o cartel de Juárez, surge entre as entidades que cobraram serviços de intermediação ao FC Porto. A empresa em causa é o Grupo Comercializador Cónclave e é referida nos relatórios financeiros da SAD “azul e branca” correspondentes às temporadas 2012-13 e 2013-14.

O PÚBLICO tentou, sem sucesso, obter uma reacção junto da assessoria de imprensa do FC Porto.

O portal mexicano Aristegui Noticias fez uma investigação às redes de financiamento do narcotráfico, particularmente do cartel de Juárez, e descobriu que Rodolfo David Dávila Córdova era o responsável financeiro da organização criminosa. O ex-dirigente do Banco do México era também o representante legal do Grupo Comercializador Cónclave, que terá sido intermediário num número indeterminado de transferências feitas pelo FC Porto nas duas temporadas em questão.

A investigação do Aristegui Noticias particulariza as transferências do mexicano Diego Reyes e dos colombianos Héctor Quiñones e Jackson Martínez para o futebol português. O avançado representava o clube mexicano Jaguares de Chiapas e, na sua contratação por parte dos “dragões”, houve a participação do agente Guillermo Lara, “que em distintas ocasiões foi vinculado às operações do narcotráfico, em específico com elementos ligados ao cartel de Juárez”, segundo escreve o portal mexicano.

Rodolfo David Dávila Córdova estaria envolvido no financiamento das actividades criminosas do cartel de Juárez, tendo, ainda assim, sido contratado pelo Governo federal mexicano como prestador de serviços no programa nacional de combate à fome. O ex-dirigente do Banco do México terá recebido 396 milhões de pesos (quase 20 milhões de euros) através de empresas-fantasma por serviços que nunca foram realizados.