catarinasabido/Instagram
Foto
catarinasabido/Instagram

Megafone

Serralves: aumento do preço dos bilhetes pode afastar os estudantes

Em 2013, um estudo sobre o “visitante-tipo” que frequenta aquela instituição cultural referia que os estudantes eram cerca de 19,5% do público de Serralves

O Museu de Serralves aprovou novos tarifários para a bilheteira e os estudantes passaram a ter apenas 50% de desconto no preço do bilhete. Esta é a grande diferença sentida e que nos faz reflectir sobre as consequências desta medida para a educação cultural. Porquê?

Em Portugal, é sabido que a educação e a formação de públicos é, porventura, a maior falha no plano cultural. Inclusive, nos últimos anos, o ensino artístico foi fortemente diminuído e começaram a ser cobradas as entradas nos museus nacionais. 

A contrariar este cenário de definhamento cultural de um passado recente, a Fundação de Serralves sempre foi uma excepção muito positiva. Manteve as entradas gratuitas para todos os estudantes e o programa cultural sempre teve eventos de elevado valor destinados aos mais jovens. Hoje, Serralves deu um passo atrás e começou a taxar os estudantes. Quais as consequências desta medida?

Na cidade do Porto existem actualmente várias instituições de ensino artístico e é importante promover uma proximidade entre os alunos que frequentam estas instituições e a Fundação de Serralves. Em 2013, um estudo coordenado pelo professor doutor Carlos Melo Brito, sobre o “visitante-tipo” que frequenta aquela instituição cultural, observou que os estudantes eram cerca de 19,5% do público de Serralves.

Nos últimos anos, esta percentagem subiu, substancialmente. Refira-se que, segundo o Relatório de Contas da Instituição em 2014, a percentagem de bilhetes gratuitos emitidos fixou-se nos 75%. Com o aumento do preço dos bilhetes, vamos poder observar a curto prazo uma diminuição do número de frequentadores jovens, colocando-se em causa a educação de públicos e o projecto fundador da fundação.

Abrir Serralves à cidade significa democratizar a cultura e torná-la acessível a todos quanto possível, sem excepções. Apesar do esforço para percebermos a causa que obrigou Serralves a acabar com a gratuitidade para os estudantes, continuaremos sem perceber a real necessidade desta medida. Poderão referir que isto é resultado de uma quebra de receitas da instituição e que esta foi a solução encontrada, a curto prazo, para resolver o problema. Mas não se pode descurar um problema maior a longo prazo. Os jovens que visitam Serralves hoje poderão deixar de ser os visitantes do amanhã. E este cenário é preocupante.