Opinião

Cartas à Directora

A Dinamarca e os bens dos refugiados

Que Europa é esta neste século XXI? Que não-memória tem esta Europa neste século XXI? Que desumaníssimo (re)invadiu esta Europa passado pouco mais de 70 anos sobre o fim do domínio de Hitler, do Nazismo, do confisco de vidas? (…)

A Dinamarca, país da suposta União Europeia, decidiu interna e “democraticamente que os refugiados lá chegados, terão à entrada de abrir as suas malas, deixar-se revistar (tipo preso a entrar na prisão, ou Judeu num Campo de Concentração de Hitler) e entregar dinheiro ou tudo o que valer acima de dez mil coroas (1340 euros), exceptuando objectos de “elevado valor sentimental”. E, a acrescer, para mais desumanismo criar: só depois de três anos a viver no país, leia-se Dinamarca, um refugiado de guerra a quem esse estatuto tenha sido reconhecido, pode pedir autorização para que a sua família se junte a ele na Dinamarca. A resposta ao pedido pode demorar anos e caberá aos refugiados suportar os custos das viagens. (…)

E podem os Refugiados ficar com a aliança! Se forem casados, se ainda tiverem aliança. O que é isto? Ao que chegámos? Vão começar a deixar ficar os dentes de ouro se os tiverem, ou como no tempo de Hitler, nos campos de concentração até os dentes de ouro arrancavam para derreter e fazer barras de ouro que até terão chegado a Portugal, no tempo neutral de Salazar, em troca de volfrâmio e não só?

Que Europa é esta? Que desumanidade nos está a varrer? Vale tudo? A vida só conta se for dinamarquesa, húngara, polaca? A extrema-direita permite-se reforçar-se nesta Europa por todo o lado, e escolher pela força quem tem direito a ter alguns parcos bens, quem tem direito a mover-se, quem tem direito a ter família, quem tem direito a estar vivo?

O que é isto? Para que valeu a II Guerra Mundial? Para onde vamos?

Muito mau, Muito mau. Só falta nas fronteiras recolocar a cruz suástica e o retrato de Hitler!

Augusto Küttner de Magalhães, Porto

 

Afinal os professores têm sucesso

Agora que vamos ter um príncipe professor como Presidente, vamos esperar que os nossos professores sejam finalmente reconhecidos. Protegemos o país e a nação e devíamos proteger, muito mais, o ambiente. Esquecemo-nos de proteger, realmente, os professores. Aquele que ensina, sabe e dirige. Ser professor é ter uma profissão de topo, porque todas as outras, a maioria, dependem dessa. Em quase todas as análises que se fazem sobre profissões, raramente se destaca a profissão docente. Portugal não foge à regra. Temos de ter a coragem de corrigir esta situação. Não com palmadinhas nas costas e uns paninhos quentes. Tem falado muito de educação, poderíamos aproveitar para valorizar, a sério, os seus principais promotores: os professores. Dignifique-se o professor, valorizando a sua carreira. Claro que atravessamos uma crise, principalmente pela dívida que se contraiu, muitas vezes à rebelia do cidadão comum que agora é chamado a resolver o problema. Como? À custa dos seus parcos rendimentos. Mesmo assim, não temos dúvidas que uma das saídas para a crise encontra-se na valorização do conhecimento. Quem o pode dar? A educação com os seus professores motivados, preparados e valorizados.

Gens Ramos, Porto